Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Mundo produziu quantidade recorde de lixo eletrônico em 2016

Ao todo foram geradas 45 milhões de toneladas de resíduo eletrônico, que inclui de celulares a geladeiras, mas apenas 20% foram reciclados. Matérias-primas no valor de 55 bilhões de euros foram parar no lixo.

DW
13 DEZ 

Terreno de uma empresa de reciclagem de aparelhos eletrônicos na Alemanha
Preço do conserto estimula consumidores a descartar aparelhos e comprar novos
 
A quantidade de lixo eletrônico gerada em 2016 alcançou o recorde de 45 milhões de toneladas, revelou um estudo da ONU divulgado nesta quarta-feira (13/12). Com o descarte de televisões, celulares e outros produtos, são desperdiçados metais, como ouro e cobre.

O volume de lixo eletrônico descartado em 2016 aumentou 8% em relação a 2014, quando foi de 41 milhões de toneladas. Segundo o estudo, elaborado pela Universidade da ONU em parceria com a União Internacional de Telecomunicações da ONU e Associação Internacional de Resíduos Sólidos, o peso do lixo eletrônico gerado no ano passado é equivalente a cerca de 4,5 mil Torres Eiffel.

Salários mais altos e preços de eletrônicos em queda, desde painéis solares até geladeiras, são os principais fatores que impulsionaram o aumento da quantidade de eletrônicos jogados fora. O consumismo e o valor de consertos, que muitas vezes custam mais que comprar um aparelho novo, também contribuíram para esse crescimento.

O estudo mostrou ainda que apenas 20% do lixo eletrônico gerado no ano passado (8,9 milhões de toneladas) foram reciclados em 2016. A grande maioria destes resíduos – que incluem tudo que possui bateria ou precisa ser ligado na tomada – acaba em aterros sanitários, mesmo que a reciclagem faça sentido economicamente. O valor das matérias-primas, entre elas, ouro, cobre, platina e paládio, contidas neste lixo em 2016 é estimado em 55 bilhões de euros.

"Ainda é chocante que apenas 20% destes resíduos sejam coletados e reciclados”, afirmou o diretor do Programa de Ciclos Sustentáveis da Universidade da ONU, Ruediger Kuehr.

O estudo prevê que, em 2021, o volume de lixo eletrônico gerado alcançará 52,2 milhões de toneladas. A China foi o país que mais produziu esse tipo de resíduo em 2016, 7,2 milhões de toneladas, seguida pelos Estados Unidos (6,3 milhões de toneladas). Já o Brasil produziu 1,5 milhão de toneladas, sendo o país da América Latina que mais gera esse tipo de lixo.

A Austrália e a Nova Zelândia são os países que mais geraram lixo eletrônico por habitante, cerca de 17,3 quilos. Mas apenas 6% desse volume foi reciclado. A Europa possui a maior taxa de coleta desse material, 35%.

A ONU fez um alerta sobre a situação e pediu que seja ampliada a reciclagem de lixo eletrônico, que representa uma séria ameaça ao meio ambiente e à saúde.
Para diminuir o desperdício, Kuehr sugeriu ainda a criação de um sistema no qual consumidores não adquiram mais produtos, mas apenas os serviços que eles oferecem. Dessa maneira, as empresas continuariam sendo donas dos produtos e forneceriam os reparos necessários. Para o diretor da ONU, esse modelo incentivaria a reciclagem e o descarte correto desses resíduos.

DW 
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VIDHA LINUS

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