Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

sábado, 16 de dezembro de 2017

Cinco gráficos que explicam como a poluição por plástico ameaça a vida na Terra

Corremos o risco de danos irreparáveis a ecossistema marinho em decorrência de milhões de toneladas de resíduos de plástico que vão parar no mar todos os anos.

Por BBC

Talheres de plástico flutuam  entre as costas da Guatemala e de Honduras (Foto: Cortesia de Caroline Power)
 Talheres de plástico flutuam entre as costas da Guatemala e de Honduras (Foto: Cortesia de Caroline Power)

A vida marinha corre o risco de sofrer danos irreparáveis em decorrência de milhões de toneladas de resíduos de plástico que vão parar no mar todos os anos. 

"É uma crise planetária. Estamos acabando com o ecossistema oceânico", afirmou à BBC Lisa Svensson, diretora de oceanos do programa da ONU para o Meio Ambiente. 

Diante do alerta, a BBC preparou cinco gráficos para explicar como o plástico se transformou em uma ameaça ao meio ambiente e mostrar a dimensão do estrago que ele pode causar ao ser descartado no oceano.

Por que o plástico é problemático?

O plástico da forma que conhecemos existe há cerca de 70 anos. E, desde então, o uso desse material tem transformado muitas áreas - da confecção de roupas à culinária, passando pela engenharia, design e até o comércio varejista. 

Quanto plástico está espalhado pela Terra? (Foto: BBC)Quanto plástico está espalhado pela Terra? (Foto: BBC) 
 
 
Uma das grandes vantagens de muitos tipos de plástico é o fato de que são projetados para durar mais - por muitos e muitos anos. 

Praticamente todo plástico já produzido continua existindo, mesmo que não esteja em seu formato original. 

Em artigo publicado na revista acadêmica Science Advances, em julho, o pesquisador Roland Geyer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, estima em 8,3 bilhões de toneladas a quantidade de plástico já produzida no mundo. 

Desse total, cerca de 6,3 bilhões de toneladas são classificadas como resíduos - e 79% estariam em aterros ou na natureza. Ou seja, pouco material é reciclado ou reaproveitado. 

A grande quantidade de resíduos de plástico é resultado do estilo de vida moderno, em que o plástico é usado como matéria-prima para diversos itens descartáveis ou "de uso único", como garrafas de bebida, fraldas, cotonetes e talheres. 

Oceanos de plástico (Foto: BBC)  Oceanos de plástico (Foto: BBC)

 

4 bilhões de garrafas de plástico

Garrafas de bebida são um dos tipos mais comuns de resíduos de plástico. 

Estima-se que 480 bilhões de garrafas tenham sido vendidas em todo o mundo até 2016 - o que representa 1 milhão de garrafas por minuto. 

Somente a Coca-Cola foi responsável por produzir 110 bilhões de garrafas de plástico. 

Um milhão de garrafas são compradas por minuto (Foto: BBC) Um milhão de garrafas são compradas por minuto (Foto: BBC)
 
 
Alguns países têm discutido maneiras de diminuir o consumo do material. O Reino Unido, por exemplo, debate oferecer água potável de graça nas grandes cidades e criar unidades para devolução de plástico.

Que quantidade de plástico vai para o mar?

Calcula-se que 10 milhões de toneladas de plástico vão parar no mar todos os anos. 

Em 2010, pesquisadores do Centro de Análises Ecológicas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, contabilizaram 8 milhões de toneladas - e estimaram 9,1 milhões de toneladas para 2015. 

O mesmo estudo, publicado na revista acadêmica Science em 2015, analisou 192 países com território à beira-mar que estão contribuindo para o lançamento de resíduos de plástico nos oceanos. E descobriu que 13 dos 20 principais responsáveis pela poluição marinha são nações asiáticas. 

Enquanto a China está no topo da lista, os Estados Unidos aparecem na 20ª posição. 

O Brasil ocupa, por sua vez, o 16º lugar do ranking, que leva em conta o tamanho da população vivendo em áreas costeiras, o total de resíduos gerados e o total de plástico jogado fora. 

O lixo plástico costuma acumular em áreas do oceano onde os ventos provocam correntes circulares giratórias, capazes de sugar qualquer detrito flutuante. Há cinco correntes desse tipo no mundo, mas uma das mais famosas é a do Pacífico Norte. 

O que pode acontecer com cotonetes (Foto: BBC) O que pode acontecer com cotonetes (Foto: BBC) 
 
Os detritos da costa dos Estados Unidos levam, em média, seis anos para atingir o centro dessa corrente. Já os do Japão podem demorar até um ano. 

As cinco correntes apresentam normalmente uma concentração maior de resíduos de plástico do que outras partes do oceano. Elas promovem ainda um fenômeno conhecido como "sopa de plástico", que faz com que pequenos fragmentos do material fiquem suspensos abaixo da superfície da água.
Além disso, a decomposição da maioria dos resíduos de plástico pode levar centenas de anos. 

Existem, no entanto, iniciativas para limpar a corrente do Pacífico Norte. Uma operação liderada pela organização não-governamental Ocean Cleanup está prevista para começar em 2018.

Por que é prejudicial à vida marinha?

Para aves marinhas e animais de maior porte - como tartarugas, golfinhos e focas -, o perigo pode estar nas sacolas de plástico, nas quais acabam ficando presos. Esses animais também costumam confundir o plástico com comida. 

Tartarugas não conseguem diferenciar, por exemplo, uma sacola de uma água-viva. Uma vez ingeridas, as sacolas de plástico podem causar obstrução interna e levar o animal à morte. 

Pedaços maiores de plástico também causam danos ao sistema digestivo de aves e baleias - e são potencialmente fatais. 

Com o tempo, os resíduos de plástico são degradados, dividindo-se em pequenos fragmentos. O processo, que é lento, também preocupa os cientistas. 

Uma pesquisa da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, mostrou que resíduos de plástico foram encontrados em um terço dos peixes capturados no Reino Unido, entre eles o bacalhau. 

Além de resultar em desnutrição e fome para os peixes, os pesquisadores dizem que, ao consumir frutos do mar, os seres humanos podem estar se alimentando, por tabela, de fragmentos de plástico. E os efeitos disso ainda são desconhecidos. 

Em 2016, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar alertou para o crescente risco à saúde humana, dada a possibilidade de micropartículas de plástico estarem presentes nos tecidos dos peixes comercializados.
 

 

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Mundo produziu quantidade recorde de lixo eletrônico em 2016

Ao todo foram geradas 45 milhões de toneladas de resíduo eletrônico, que inclui de celulares a geladeiras, mas apenas 20% foram reciclados. Matérias-primas no valor de 55 bilhões de euros foram parar no lixo.

DW
13 DEZ 

Terreno de uma empresa de reciclagem de aparelhos eletrônicos na Alemanha
Preço do conserto estimula consumidores a descartar aparelhos e comprar novos
 
A quantidade de lixo eletrônico gerada em 2016 alcançou o recorde de 45 milhões de toneladas, revelou um estudo da ONU divulgado nesta quarta-feira (13/12). Com o descarte de televisões, celulares e outros produtos, são desperdiçados metais, como ouro e cobre.

O volume de lixo eletrônico descartado em 2016 aumentou 8% em relação a 2014, quando foi de 41 milhões de toneladas. Segundo o estudo, elaborado pela Universidade da ONU em parceria com a União Internacional de Telecomunicações da ONU e Associação Internacional de Resíduos Sólidos, o peso do lixo eletrônico gerado no ano passado é equivalente a cerca de 4,5 mil Torres Eiffel.

Salários mais altos e preços de eletrônicos em queda, desde painéis solares até geladeiras, são os principais fatores que impulsionaram o aumento da quantidade de eletrônicos jogados fora. O consumismo e o valor de consertos, que muitas vezes custam mais que comprar um aparelho novo, também contribuíram para esse crescimento.

O estudo mostrou ainda que apenas 20% do lixo eletrônico gerado no ano passado (8,9 milhões de toneladas) foram reciclados em 2016. A grande maioria destes resíduos – que incluem tudo que possui bateria ou precisa ser ligado na tomada – acaba em aterros sanitários, mesmo que a reciclagem faça sentido economicamente. O valor das matérias-primas, entre elas, ouro, cobre, platina e paládio, contidas neste lixo em 2016 é estimado em 55 bilhões de euros.

"Ainda é chocante que apenas 20% destes resíduos sejam coletados e reciclados”, afirmou o diretor do Programa de Ciclos Sustentáveis da Universidade da ONU, Ruediger Kuehr.

O estudo prevê que, em 2021, o volume de lixo eletrônico gerado alcançará 52,2 milhões de toneladas. A China foi o país que mais produziu esse tipo de resíduo em 2016, 7,2 milhões de toneladas, seguida pelos Estados Unidos (6,3 milhões de toneladas). Já o Brasil produziu 1,5 milhão de toneladas, sendo o país da América Latina que mais gera esse tipo de lixo.

A Austrália e a Nova Zelândia são os países que mais geraram lixo eletrônico por habitante, cerca de 17,3 quilos. Mas apenas 6% desse volume foi reciclado. A Europa possui a maior taxa de coleta desse material, 35%.

A ONU fez um alerta sobre a situação e pediu que seja ampliada a reciclagem de lixo eletrônico, que representa uma séria ameaça ao meio ambiente e à saúde.
Para diminuir o desperdício, Kuehr sugeriu ainda a criação de um sistema no qual consumidores não adquiram mais produtos, mas apenas os serviços que eles oferecem. Dessa maneira, as empresas continuariam sendo donas dos produtos e forneceriam os reparos necessários. Para o diretor da ONU, esse modelo incentivaria a reciclagem e o descarte correto desses resíduos.

DW 
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Abertos cursos com temática socioambiental

 Interessados podem se inscrever até 20 de dezembro. São nove cursos de educação a distância, com 2 mil vagas para cada um deles.

 Segunda, 11 Dezembro 2017 19:30
 fonte:mma

 

DA REDAÇÃO
Nesta segunda feira (11/12), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do Departamento de Educação Ambiental, abre inscrições para nove cursos de Educação a Distância (EAD) com temáticas socioambientais. As inscrições são gratuitas e ficam abertas até o dia 20 de dezembro para o público em geral.
Entre os temas tratados, estão crianças e o consumo sustentável; juventudes, participação e cuidado com a água; mudança do clima; resíduos sólidos; igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável, entre outros.
Os cursos são auto instrucionais (sem tutoria), com 2 mil vagas para cada um, e começam no dia 21 de dezembro. Desde 2012, o MMA investiu na customização de um ambiente virtual de aprendizagem e na elaboração de cursos de EAD que permitissem acesso de milhares de pessoas a conteúdos socioambientais e materiais pedagógicos para utilização online e off-line. Ao todo, já passaram pela plataforma de EAD do MMA mais de 100 mil usuários.
Segundo os organizadores, alguns cursos foram pensados e disponibilizados para recortes específicos de público e outros para serem ofertados de maneira livre; alguns são aplicados de maneira semipresencial, com apoio de instituições parceiras, outros integralmente a distância; alguns com tutoria contratada ou voluntária e outros, autoinstrucionais.


http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=2756

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RenovaBio é aprovado no Senado

Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis agora vai para sanção presidencial. Incentivo contribui para a redução de emissões. 

Terça, 12 Dezembro 2017 19:30
fonte: mma


Cana-de-açúcar: biomassa


DA REDAÇÃO
O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (12/12), o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 160/2017, que cria a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). A iniciativa contribui para o cumprimento, pelo Brasil, do Acordo de Paris sobre mudança do clima. São biocombustíveis o etanol e o biodisel, por exemplo, produzidos a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A proposta, agora, segue para sanção presidencial.
O RenovaBio cria uma política de Estado para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz de energia nacional, tanto para a segurança energética quanto para redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.
O PLC é de autoria do deputado Evandro Gussi (PV-SP), a partir de uma proposta elaborada pelo Ministério de Meio Ambiente, em parceria com o Ministério de Minas e Energia, o setor privado e a sociedade civil.
EFICIÊNCIA
Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a produção total de etanol no Brasil em 2016 foi de 28 bilhões de litros e a de biodiesel, 3,8 bilhões. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.
Entre os objetivos do RenovaBio, além do cumprimento das metas do Acordo de Paris, estão a eficiência energética e a redução nas emissões de gases, o aumento da produção e o uso de biocombustíveis, além competitividade dessas fontes no mercado nacional. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.
O Projeto de Lei propõe a utilização de Crédito de Descarbonização de Biocombustíveis (CBIO), concedidos a produtoras de biocombustível de acordo com a proporção de energia limpa por elas produzida. Quanto maior essa proporção, mais créditos a empresa terá. Os créditos serão negociados na bolsa de valores e comprados por setores que precisem deles como contrapartida pela emissão de carbono de suas próprias produções.

http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=2759
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O descanso dos maçaricos-rasteirinhos

Ave migratória utiliza o Parque Nacional do Cabo Orange para fugir do frio do Hemisfério Norte.

Publicado: Quarta, 13 de Dezembro de 2017, 14h46  
fonte :ICMBio
maçarico rasteirinho Calidris pusilla Parque Nacional Cabo Orange Foto DP nov 2017
 Monitorar as aves limícolas migratórias (limícolas são aves, geralmente, associadas a zonas úmidas e costeiras, como estuários e lagunas) no Parque Nacional do Cabo Orange no estado do Amapá. Esse foi o objetivo da expedição que encontrou cerca de 10 mil maçaricos-rasteirinhos (Calidris pusilla) em apenas dois grandes bandos, descansando em um sub-bosque de manguezal próximo ao Cabo Orange. Essa espécie, considerada ameaçada de extinção, utiliza o Parque em grande número e por longos períodos no ano, cerca de 7 a 8 meses, invernando e fugindo do frio do Hemisfério Norte – onde se reproduzem. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), através do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), é responsável pela coordenação do Plano Nacional (PAN) de Aves Limícolas Migratórias.

“Não são comuns esses registros. As aves, que se alimentam nos bancos e praias lamosas, tendem a se concentrar durante a maré cheia em praias mais altas para descansar. No sub-bosque do manguezal, entre as raízes e pequenas árvores, a atividade era bastante intensa, com intensa vocalização e socialização”, relata a coordenadora do PAN Aves Limícolas Migratórias do Cemave, Danielle Paludo. Durante a expedição, a equipe realizou o censo e o levantamento de habitats para as diferentes espécies, além da definição das ações de pesquisa e monitoramento das aves migratórias no litoral e na unidade de conservação. O comportamento das aves nos bandos gigantescos também foi registrado através de fotografias e filmes pelos pesquisadores durante a expedição.

pesquisadores colaboradores PAN Aves Limícolas Migratorias Censo Parque Nacional Cabo Orange Foto DP 1“Os resultados desta expedição são considerados excelentes, e orientarão os próximos trabalhos para o monitoramento das aves limícolas no litoral norte do Brasil e no Parque do Cabo Orange”, ressalta Danielle. Segundo ela, o Cemave possui uma parceria com a New Jersey Audubon Society e está articulando a colocação de uma torre de rádio em Calçoene para rastreamento das aves que serão marcadas com transmissores de rádios a partir de setembro de 2018. Com esse sistema será possível monitorá-las durante a estada no Brasil, nos sítios de invernada, e conhecer com detalhes quais são os micro-habitats utilizados para alimentação e descanso. Essas informações são importantes para a conservação das aves migratórias e para a gestão da Unidade de Conservação, que pode assim direcionar os esforços de proteção, de educação ambiental e de uso público, melhorando a sua efetividade na conservação da biodiversidade.

O PAN Aves Limícolas Migratórias foi o motivador da expedição, que teve o objetivo de ampliar e assegurar a proteção efetiva dos habitats para as aves no Brasil, e identificou o Parque Nacional do Cabo Orange como um dos sítios de invernada de aves migratórias prioritários para a pesquisa e monitoramento, importantes para a conservação do grupo no Estado do Amapá, no Brasil e nas Américas.

A expedição foi realizada com pesquisadores colaboradores do PAN Aves Limícolas Migratórias, com apoio do GEF Mar e Parque Nacional do Cabo Orange. Participaram da expedição os pesquisadores Ana Paula Souza (UFMA), Pedro Lima (UFBA), Reydson Rafael (IFCE) além de Danielle Paludo (Cemave/ICMBio) e Paulo Silvestro (PNCO/ICMBio). “A articulação e as parcerias interinstitucionais e dos Centros e das unidades de conservação do ICMBio são fundamentais para a viabilização dos projetos de pesquisa e conservação do PAN”, ressalta.

Mais de 358 espécies registradas

O Parque Nacional do Cabo Orange situa-se na fronteira norte do Brasil, limitado pelo rio Oiapoque e vizinho da Guiana Francesa. Compreende uma impressionante área de manguezais e matas costeiras, além de campos alagados e restingas, abrigando uma grande biodiversidade e riqueza cultural. Mais de 358 espécies de aves já foram registradas no Cabo Orange. Possui 657 mil hectares, quase 200 quilômetros de litoral amazônico. Pela importância e riqueza de suas áreas úmidas, foi reconhecido como Sítio Ramsar em 2013. O Cemave publicou em 2008 um guia de aves do Parque Nacional do Cabo Orange.


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Resgatada, loba-guará volta à natureza

Ela ficou mais de um ano vivendo em um cativeiro em uma área natural na Serra da Canastra sendo acompanhada e treinada pelos pesquisadores

 
Publicado: Quinta, 07 de Dezembro de 2017, 16h29

fonte: icmbio 

 loba icmbio

 Depois de mais de um ano vivendo em um semicativeiro nas imediações do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, os pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Pró-Carnívoros e a Universidade de Franca (SP) soltaram a loba-guará. O animal foi resgatado ainda filhote depois que os pais desapareceram em meio a uma queimada em um canavial no interior de São Paulo em agosto do ano passado.

Assim, começou a história da lobinha, como chamam os pesquisadores, que ficou órfã. Eles resolveram cuidar do animal para que pudesse retornar à natureza. No período de semicativeiro, recebeu comida, treinamento para caçar e acompanhamento de saúde. E ainda, segundo os pesquisadores, a visita de muitos lobos que circulavam pelo local.

"No dia 2 de dezembro abrimos o portão do recinto de treinamento, com a certeza de que a lobinha atendeu todas as marcas esperadas para ganhar sua liberdade. Seu comportamento de caça é impecável, sua saúde é perfeita. Os quase 2.600 metros quadrados já estavam pequenos para ela. Foi um dia para ficar na história", declarou emocionado o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do ICMBio, Rogério Cunha de Paula.

Mesmo solta, ela ainda está sendo monitorada para se conhecer melhor sobre seus hábitos durante o período de adaptação à nova vida. Segundo Rogério, a coleira de monitoramento mostrou que, no início da noite em que foi solta, ela ficou pertinho da sua antiga casa, mas logo se distanciou. "Ela está perto do cativeiro, aos poucos ela vai ganhando o mundo, entendendo que tem a Serra da Canastra toda para ela", afirma. Rogério conta que o sucesso do projeto é que a loba consiga estabelecer seu território, achar um parceiro e reproduzir.

Segundo Rogério, o trabalho foi conduzido com extremo rigor técnico, aproveitando dados científicos existentes para reabilitação comportamental e informações coletadas a partir de lobos monitorados na região. "A partir de tudo que foi aprendido e construído nesse ano na Serra da Canastra, será estruturado um protocolo de reabilitação de lobo-guará para subsidiar ações de manejo de diversas instituições, quando essas forem necessárias. Espera-se que este projeto de pesquisa seja um piloto para ações a partir do resgate de filhotes", ressalta o pesquisador.  Segundo ele, deve-se sempre buscar em primeiro lugar reduzir as ameaças que fazem com que os lobos, filhotes ou não, acabem nas mãos do ser humano. "E sempre avaliar se a reposição de animais reabilitados não trará mais prejuízos às populações locais. Ou seja, uma análise maior deve ser conduzida a evitar maiores danos ao indivíduos soltos e aos residentes", finaliza.

Extinção

O lobo guará é encontrado principalmente no bioma Cerrado, e está na lista dos animais em extinção. A maior ameaça para a espécie é a perda de habitat em razão da expansão agrícola. Os pesquisadores do ICMBio desenvolvem ações, com vários parceiros, para a conservação do lobo-guará, seguindo as diretrizes do Plano Nacional (PAN) Lobo-guará. Em 2004, 10 instituições parceiras moldaram a base para o Programa de Conservação do Lobo-Guará, conduzido pelo Cenap e Instituto Pró-Carnívoros. Eles levantam informações sobre a estimativa populacional, dispersão de jovens, saúde, genética, comportamentos e dieta.

Juntos ainda executam ações de educação ambiental e implementam estratégias práticas de conservação como a construção de galinheiros para prevenir os ataques de lobos e outros carnívoros à criação doméstica. O programa é considerado um exemplo mundial de sucesso na área de conservação. Pelas ações executadas com o lobo-guará, em 2012, o pesquisador do Cenap Rogério Cunha de Paula, foi um dos 40 estudiosos do mundo selecionados ao título de “Herói da Vida Selvagem” em uma publicação norte-americana (wildlifeheroes.org).

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VIDHA LINUS

CONSULTORIA AMBIENTAL LICENÇAS,ELABORAÇÃO EIV, PRAD. Av Radial B, 122 Bairro Mangueiral CEP 42807-380 CAMAÇARI - BAHIA 71 3040 5033 99168 5797 VBRAMBIENTAL@YAHOO.COM.BR

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