Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

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domingo, 23 de julho de 2017

Adesivo fixado ao sutiã denuncia abuso sexual automaticamente

O dispositivo detecta quando alguém tem suas roupas retiradas à força - e avisa pessoas de confiança pelo celular.

Uma pesquisadora do MIT criou uma forma de reportar e prevenir abusos sexuais em tempo real. Seu projeto, que ganhou o nome de Intrepid, consiste em um adesivo que pode ser fixado a qualquer peça íntima – como um sutiã. Ele avisa quando alguém tem a própria roupa arrancada à força, alertando conhecidos da vítima e acionando serviços de emergência.

Para usar o Intrepid, deve-se fazer download de um aplicativo, que é ativado por Bluetooth. Então, a usuária cadastra cinco números de pessoas em quem confia, que serão contatadas caso aconteça alguma coisa.
 
A ferramenta pode funcionar de duas maneiras. Seu “modo ativo”, serve para situações em que a pessoa é incapaz de lutar contra o abusador – como pode acontecer com crianças, idosas ou pessoas inconscientes.
 
“Se alguém está tentando remover uma peça de roupa de seu corpo, nós primeiramente enviamos uma mensagem para confirmar se o ato é consensual ou não. Quem veste o sutiã tem 30 segundos para responder”, explica Manisha Mohan, que desenvolveu a ideia.
 
Caso a pessoa não responda à pergunta no tempo hábil, um alarme começa a soar – avisando quem usa. Se não houver retorno dentro de 20 segundos, uma mensagem com a localização da usuária é enviada aos amigos ou familiares pré-cadastrados. O gravador de voz do celular é acionado, e passa a transmitir o áudio do ambiente na forma de uma ligação.
 

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sábado, 27 de maio de 2017

Avenida mais famosa de Madri vai reduzir espaço dos carros para privilegiar árvores e bicicletas

Prefeita Manuela Carmena anuncia que as obras começarão em janeiro de 2018

 ELPAÍS/BRASIL

A prefeita de Madri, Manuela Carmena, apresentou nesta quinta-feira um projeto para a remodelação da Gran Vía, uma das artérias mais emblemáticas da capital. A avenida vai ganhar, dentre outras medidas, faixas exclusivas para bicicletas. Também serão reduzidas as faixas destinadas aos veículos particulares e ampliadas as calçadas. Além disso, a via será fechada ao tráfego de não-moradores. Os grandes beneficiários dessas medidas serão os pedestres e os ciclistas.

O plano tem como objetivo “a redução e reorganização das faixas para criar um sistema de mobilidade no qual a bicicleta se integre com o resto do tráfego”, como explicou a Prefeitura da capital em um comunicado. Num trecho, os ciclistas contarão, na direção da subida, com uma ciclovia separada do resto dos veículos, tendo em vista a inclinação da rua. Esse trecho, portanto, terá cinco pistas.

Em parte da Avenida serão mantidas apenas quatro faixas. Duas delas serão para o transporte público e outras duas serão "ciclofaixas 30", nas quais o veículo particular (que não pode ir mais de 30 quilômetros por hora) compartilha o espaço com a bicicleta. Para incentivar os usuários de bicicletas a utilizar o veículo nessa área, será fundamental a pacificação do tráfego, uma das principais exigências da maioria das associações de ciclistas. É exatamente isso o que se pretende com o fechamento da artéria para os não moradores. As obras terão uma duração prevista de oito meses; no outono de 2018 já será possível desfrutar da nova Gran Vía. Além disso, serão remodeladas as seis praças do entorno da avenida.

Os coletivos ciclistas de Madrid avaliam “muito positivamente” o que foi proposto em geral para a Gran Vía, mas levantam alguns problemas: “As bicicletas devem poder conviver com os veículos; não queremos que a bicicleta fique encurralada, ela tem de circular na pista”.

Projeto para a Gran Vía a partir da rua de Alcalá.
Projeto para a Gran Vía a partir da rua de Alcalá.
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domingo, 19 de março de 2017

Wangari Maathai, uma mulher pelo Quênia e pelas árvores

“Os cidadãos fazem as pequenas coisas e isso é que faz a diferença. Minha pequena coisa é plantar árvores”Wangari Maathai
 Por Giuliana Ferrari               
Wangari Maathai. Foto: Martin Rowe/Oregon State University

Quando se fala de heróis e ídolos da ciência, muito se diz sobre o papel dos homens, e pouco, ou menor reconhecimento, é dado às mulheres que estiveram lado a lado dessas figuras históricas. Empunhando a própria ciência, elas lutaram e lutam contra a corrente de um mundo imperiosamente masculino. Os obstáculos não são poucos, mas acredito que, ao contar a história de mulheres importantes para o mundo, seja possível traçar um fio de esperança e motivação às meninas e mulheres do mundo que estejam interessadas na formação de conhecimento científico e na preservação da Natureza. E é com base nesta última que este artigo vos apresenta uma mulher fantástica: Wangari Maathai, a fundadora de um programa aclamado internacionalmente de replantio de áreas inteiras degradadas no Quênia, no Leste da África.
Wangari Muta Maathai nasceu na área rural de Nyeri, Quênia, no dia primeiro de abril de 1940. Estudou em ambientes católicos por toda a vida e após concluir os estudos em uma escola só para meninas recebeu a oportunidade de viajar para os Estados Unidos e estudar na St. Scholastica College em Atchison, Kansas, onde adquiriu o diploma em Ciências Biológicas. Wangari sempre foi apaixonada pela riqueza e diversidade de sua terra natal; quando criança, brincara por entre nascentes de rios e aprendera a respeitar as forças naturais. De volta ao Quênia, Wangari tornou-se a primeira mulher no Leste e Centro da África a ter o título de PhD, e a primeira mulher a ingressar como professora associada e também presidente do Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairóbi.
Em seu livro autobiográfico, Unbowed, Wangari discorre sobre os inúmeros desafios que permearam sua vida acadêmica. Desde o descontentamento e eventuais sabotagens de seus colegas homens que não suportavam ver uma mulher como chefe do Departamento, a dissabores com o então presidente do Quênia, Daniel arap Moi, em uma época de extrema instabilidade política neste país até então unipartidário.
Em 1979, após um complicado e público divórcio, no qual tabloides aproveitaram as declarações de seu marido Mwangi de que ela era uma mulher “impossível de se domar” e com um “gênio muito forte”, Wangari viu-se em um mar de problemas. Foi presa por desacato, desalojada da casa provida pela Universidade devido aos custos do processo e obrigada a deixar os filhos com o ex-marido enquanto tentava arranjar outro emprego.
Em 1982, Wangari foi impedida de assumir o cargo de representante de sua região natal no Parlamento e, quando levou o caso à corte judicial, o juiz presente negou a legitimidade da representação com base em uma acusação ilegal de falta de documentos.
Wangari era parte da tribo dos Kikuyus, a mais populosa do Quênia, e devido a complicações ideológicas pós-colônia, muitos quenianos viam com desconfiança Kikuyus à frente do governo. Assim, quando Wangari se candidatou à presidência do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia (NCWK, em inglês), armações políticas impediram por duas vezes seu sucesso, embora ela tenha conseguido o cargo de vice em 1980. Após conseguir finalmente o cargo de presidente do Conselho, o presidente Moi retirou grande parte do apoio financeiro e condenou NCWK à falência.
Muitos poderiam ter desistido após essa onda de infortúnios e sabotagens políticas e pessoais. Wangari tinha o apoio internacional de cientistas e grupos humanitários, mas era odiada por metade do Quênia e virou a persona non-grata de ninguém menos do que o presidente do país.
Cinturão Verde
Em entrevista. Seattle, 2009. Foto:
Em entrevista. Seattle, 2009. Foto: s pants/Flickr
"O plantio de árvores em áreas degradadas não é um simples ato de romantismo ingênuo"
Porém Wangari Maathai não era mulher de desistir. Durante sua estadia no Conselho Nacional de Mulheres, Wangari fundou o The Green Belt Movement (Movimento do Cinturão Verde, em tradução livre) em 1977. Este movimento era uma resposta a um problema ambiental crescente nas planícies anteriormente férteis: os rios estavam secando e as mulheres reclamavam da diminuição de comida, além da dificuldade de conseguir lenha. Wangari percebeu uma linha lógica na situação: os rios morriam porque as árvores que seguravam a erosão do solo eram exploradas maciçamente pela indústria madeireira.
Como bióloga, mulher e humanitária, Wangari sabia que o problema, espalhando-se pelo Quênia, levaria famílias à miséria. Como é comum em situações de insegurança social, mulheres e crianças são os que sofrem o pior baque. Juntando-se a mulheres interessadas em mudar o paradigma, Maathai fundou o movimento e começou uma ação teoricamente simples, mas com um alto poder transformador: plantar árvores.
O plantio de árvores em áreas degradadas não é um simples ato de romantismo ingênuo. Árvores de raízes extensas e profundas seguram as partículas de terra em blocos, impedindo o carreamento de grande quantidade de solo por chuva e vento, além de auxiliarem na criação e manutenção de lençóis freáticos. Em uma perspectiva mais ampla, o replantio de florestas também permite o retorno e a chegada de animais que foram expulsos pela degradação, além de manter a biodiversidade da área e diminuir o risco de extinção de espécies confinadas a pequenos fragmentos florestais.
A sacada genial de Wangari foi aliar a demanda pela restauração das áreas com uma segunda demanda igualmente urgente: dinheiro para as famílias. Maathai angariou um fundo monetário para pagar uma pequena quantia por cada árvore plantada e, reconhecendo a falta de apego à terra como um dos problemas crescentes no Quênia, montou seminários e grupos de discussões para informar os participantes de seus direitos cívicos e envolvê-los na educação ambiental.
Durante a expansão do Green Belt Movement (GBM), Wangari enfrentava problemas financeiros pessoais e dentro do próprio movimento. Um resgate foi provido por Wilhelm Elsrud, da Sociedade Florestal da Noruega, ao oferecer uma parceria com o GBM, e o cargo de coordenadora a Wangari. Com o novo emprego, Maathai foi capaz de deslocar todos seus esforços para o programa. Mais dinheiro permitiu assalariar também os maridos e filhos das mulheres que plantavam árvores, os quais ao serem alfabetizados podiam manter registros precisos das sementes e plântulas plantadas.
Nem mesmo com o sucesso do Movimento Wangari conseguiu se desvencilhar das armadilhas políticas de Moi. No final da década de 80, o presidente insistiu que o Conselho Nacional de Mulheres devia se preocupar apenas com "questões femininas" - ignorando o panorama integrado de fatores sociais e ambientais - o que implicou na saída de Wangari do NCWK para se dedicar exclusivamente ao GBM. Em outubro de 1989, Maathai soube de um plano para construir um complexo midiático no meio do Parque Uhuru, perto do centro financeiro de Nairóbi. Protestos liderados por Maathai foram classificados pelo presidente Moi como liderados por uma "mulher louca" e eventualmente ela foi presa com os demais manifestantes reunidos no parque.
À época Wangari já era reconhecida internacionalmente e pressão foi feita para que ela fosse libertada. Com o reconhecimento de seu trabalho, Wangari conseguiu expandir os trabalhos do GBM e o levou para além do Quênia. Seu objetivo agora era unificar toda a África em um ideal comum: a conservação de suas águas e restauração de suas florestas.
Wangari Maathai. 2007. Foto: Center for Neighborhood Technology
Wangari Maathai. 2007. Foto: Center for Neighborhood Technology/Flickr
Wangari representa a junção necessária do pensamento ecológico com as demandas humanitárias em um planeta abarrotado. Ela sabia que não se pode resolver um problema ambiental sem trazer os habitantes das áreas próximas à causa e sem mitigar e aliviar os efeitos negativos de uma população exposta a diversos problemas sociais. A derrubada de florestas inteiras tem alterado o ciclo de chuvas e condenando áreas degradadas a secas prolongadas, em um processo conhecido como desertificação.
Os problemas enfrentados pelo Quênia na época, e que infelizmente se estendem até hoje, não são exclusivos deste país africano: séculos de políticas expansionistas imperialistas nas Américas, na África e na Oceania, aliadas a posteriores governos corruptos e mal gerenciamento de recursos, criaram uma matriz complexa de áreas densamente povoadas encravadas em hotspots de biodiversidade cada vez mais ameaçados. Hoje, desertificação e fragmentação de habitat por espécies exóticas são as principais ameaças à biodiversidade do planeta; de certa forma, ações integradas como a de Wangari Maathai não são apenas inspiradoras: são o símbolo de uma necessidade.
Wangari Maathai deixou um extenso legado. Escreveu 4 livros e ganhou cerca de 50 prêmios nacionais e internacionais - incluindo o Nobel da Paz de 2004 pelo seu trabalho humanitário, e o Conservation Scientist Award da Columbia University (USA) no mesmo ano. Em 2009 Wangari foi nomeada Mensageira da Paz pelas Nações Unidas, levando a mensagem de plantio baseado em comunidades locais pelo mundo. Mas as vidas de símbolos mundiais também são finitas, e em 25 de setembro de 2011, aos 71 anos, Wangari faleceu devido a complicações de um câncer nos ovários. Entretanto, o GBM continua vivo e em ação.
O legado de Wangari Maathai nos ensina a incentivar as meninas a também sentirem amor pela ciência, e o GBM continua vivo e em ação. Em um mundo urgente por medidas de conservação ambiental a longo prazo, e por mudanças na mentalidade pública quanto aos problemas ambientais de sua região, precisamos sim de mulheres de “gênio forte”. Política e ambientalismo nunca foram assuntos excludentes para Maathai. Por que seriam? Estratégias de conservação baseadas única e exclusivamente em áreas isoladas são cada vez mais uma raridade. É preciso engajar a sociedade para realizar projetos efetivos e duradouros. Mais que isso, precisamos de pessoas apaixonadas pela natureza e sua biodiversidade, que combatam a corrente de destruição com afinco e empatia. E empatia, para a mulher incrível que foi Wangari Maathai, é a palavra que reverbera.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

Brasil já teve campos de concentração da seca, conheça a história

No século XX, autoridades construíram "campos de concentração" para evitar que agricultores famintos do Ceará migrassem em massa para Fortaleza

Quase ninguém no Brasil se lembra ou sequer conhece esta história, mas ela existiu: no começo do século XX, quando o Nordeste vivia – como nos dias de hoje – terríveis secas, as autoridades construíram “campos de concentração” para evitar que agricultores famintos do Ceará migrassem em massa para a capital.

Os registros históricos e os jornais da época descrevem as construções como acampamentos, onde milhares de famílias do semiárido eram obrigadas a viver em condições sub-humanas: amontoadas, quase sem comida, em um espaço insalubre, cercado e custodiado por guardas.

As autoridades estaduais chamavam de “campo de concentração”, uma denominação que ainda não era associada ao horror do nazismo alemão.

Os primeiros foram construídos durante a grande seca de 1915 e voltaram posteriormente, durante um ano, em 1932.

No total, foram sete campos estrategicamente estabelecidos perto das vias ferroviárias que os agricultores do sertão cearense usavam para fugir para Fortaleza, capital do estado que hoje sofre sua pior seca em um século.

As autoridades os vendiam como uma espécie de proteção para milhares de “flagelados”, mas as crônicas sugerem que apenas buscavam evitar que se repetisse o episódio vivido na seca de 1877, quando mais de 100.000 camponeses famintos triplicaram a população da capital que, nos anos 30, vivia na modernidade e riqueza de sua ‘Belle Epoque’.

Currais do governo

Os agricultores, de fato, acabarambatizando esses lugares como “Currais do governo” porque se sentiam tratados como o gado que haviam perdido na seca.

“Os campos de concentração funcionavam com uma prisão”, observa a historiadora Kenia Sousa Rios no livro “Isolamento e poder: Fortaleza e os campos de concentração na seca de 1932”.

“Os que chegavam lá não podiam ir embora. Só tinham permissão para se deslocar quando eram convocados para trabalhar na construção de ruas ou em obras de melhoramento urbano em Fortaleza, ou quando eram transferidos de campo”, explica.

Os únicos vestígios deste episódio sinistro da história brasileira estão em Senador Pompeu, um humilde município em pleno sertão, a 300 km da capital.

Lá ainda estão de pé as carcaças dos prédios onde os guardas faziam o controle ou dos armazéns onde se guardava a comida, mas estão todos completamente abandonados.

Última testemunha

Carmela Gomez Pinheiro, filha de um dos vigias do campo, hoje tem 96 anos, mas sua memória é muito boa.

“Quatro ou cinco pessoas morriam todos os dias, inclusive crianças. Todos de maus-tratos ou de fome”, conta à AFP em sua residência, uma casa humilde em Senador Pompeu.

“A fome era muito grande (…) Não havia o que comer, nem pão, e as pessoas ficavam doentes e suas barrigas inchavam”, recorda, com alguma dificuldade para falar.

Mesmo que esta tragédia seja desconhecida para milhões de brasileiros, não ficou completamente esquecida.

Em Senador Pompeu se celebra anualmente a ‘Caminhada da Seca’ em homenagem a essas vítimas, um memorial idealizado em 1982 pelo padre italiano Albino Donati.

Ano após ano, a grande romaria termina no “Cemitério da Barragem”, que foi criado em torno das valas comuns, onde os habitantes dizem que estão enterradas mais de mil pessoas.

Em torno de uma cruz, dezenas de garrafas de água são hoje o testemunho das oferendas populares ao falecidos sedentos.

Disponível: http://exame.abril.com.br/brasil/brasil-ja-teve-campos-de-concentracao-da-seca-conheca-a-historia/

 

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domingo, 12 de março de 2017

Mulheres portuguesas não se divorciam como as outras

A lei do país permite que o homem volte a se casar 120 dias antes de sua ex


Graças a uma brecha na lei, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira portuguesa que votou. Era o ano de 1911, quando apenas homens maiores de 21 anos e chefes de família tinham o direito de ir à urnas, mas a cirurgiã era viúva e, por isso, mostrou que era ela quem mandava na casa. A Justiça lhe deu razão, ela votou, e, antes que a moda pegasse, os legisladores apressaram-se para mudar a lei.



A discriminação legal e real da mulher portuguesa é muito semelhante à que acontece em outros países desenvolvidos; há muito tempo, elas já podiam divorciar-se, mas só em caso de adultério do marido "com escândalo público", enquanto o marido podia separar-se sempre que quisesse; e, se a esposa matasse o marido, as penas eram mais severas do que se acontecesse o contrário. Hoje em dia, a discriminação é vista, sobretudo, no trabalho, porque a mulher ganha menos por uma função igual (23% menos, de acordo com os últimos estudos), enquanto o Código Civil vá se livrando dessas discriminações. Há alguns meses, o Parlamento aprovou que os casais de lésbicas possa, fazer tratamentos de fertilidade no país (antes iam para a Espanha), um ano depois da aprovação da adoção por casais homossexuais.

O último objetivo neste caminho sem fim para reduzir as diferenças por motivos de sexo foi descoberto pelo Bloco de Esquerda. De acordo com a lei de 1967, referendada em 1977, já na democracia, a mulher divorciada pode voltar a se casar 300 dias depois; o prazo já seria curioso por si só, mas é ainda mais porque os legisladores de então estabeleceram um prazo diferente para os homens se casarem novamente: 180 dias, quase a metade.

Em um país que se divorcia como poucos, os prazos são uma coisa importante. De acordo com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, Portugal tem 73,7 divórcios para cada 100 casamentos, e não é incomum que haja pessoas com três ou até quatro divórcios.

Sandra Cunha, deputada do Bloco de Esquerda, espera que o Parlamento aprove por unanimidade a unificação dos prazos. Cunha entende que os prazos eram diferentes naquela época por "razões de decoro social" no caso de a mulher ficar grávida após o divórcio, mas "hoje isso não faz nenhum sentido". Embora argumente que o Estado não deveria se meter em questões íntimas, o Bloco defende que seja mantido o prazo de 180 dias entre os dois casamentos, não tanto pelo decoro, mas por questões burocráticas, e das discussões sobre a divisão de móveis, discos, plantas e gatos. 
 Disponível: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/07/internacional/1488892776_983019.html
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Saiba quais são os melhores países para ser uma empreendedora

No Dia Internacional da Mulher, estudo da Mastercard elenca quais regiões têm as melhores condições para que mulheres abram seus próprios negócios

 Mariana Fonseca
Funcionária/empreendedora em escritório
Empreendedora: oferecer condições propícias para o empreendedorismo feminino é fundamental para desenvolver mais negócios de sucesso (Thinkstock)

São Paulo – Ainda hoje, as mulheres enfrentam mais preconceitos culturais e menos oportunidades de progresso profissional nas empresas, em relação aos seus colegas do sexo masculino.

Por isso, oferecer condições propícias para o empreendedorismo feminino é fundamental para que cada vez mais negócios liderados por mulheres tenham as mesmas chances de batalhar pelo sucesso. Isso passa tanto por medidas específicas, como dar mais oportunidades de ascensão a elas no mercado de trabalho, quanto por uma melhora em geral no ecossistema empreendedor.

É o que diz o Índice de Mulheres Empreendedoras, a primeira edição de uma pesquisa feita pela empresa de cartões Mastercard em lembrança ao Dia Internacional da Mulher. Ao todo, o estudo compreendeu 78,6% da mão-de-obra feminina mundial.

O índice tem como objetivo saber como 54 economias da região Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África, América do Norte, América Latina e Europa diferem em resultados 1) no avanço das mulheres no mercado, 2) no capital intelectual e financeiro e 3) nas condições propícias ao empreendedorismo. Cada país recebe uma nota a partir desses três aspectos, que vai de 0 a 100.

Os melhores países para ser uma empreendedora

O ranking mostra, principalmente, como o empreendedorismo feminino se desenvolve em ritmos e formas diferentes ao redor do mundo.

Em países em desenvolvimento, abrir negócios costuma derivar da necessidade de uma alternativa de renda. O caminho é burocrático e desafiador, diante da falta de programas estruturados de apoio ao empreendedorismo e da falta de infraestrutura, inclusive tecnológica.

Já as economias desenvolvidas costumam apresentar maior frequência do empreendedorismo por oportunidade: abrir negócios por enxergar inovações a serem feitas. Na prática, elas contam com comunidades de pequenas e médias empresas sólidas, alta qualidade de governança e facilidade de fazer negócios, por exemplo.

É o caso, principalmente, dos cinco países no topo do ranking de estímulo ao empreendedorismo feminino. Confira quais são eles:
Posição País Índice de Mulheres Empreendedores (nota de 0 a 100)
1 Nova Zelândia 74,4
2 Canadá 72,4
3 Estados Unidos 69,9
4 Suécia 69,6
5 Singapura 69,5

A correlação entre desenvolvimento econômico e empreendedorismo, claro, nem sempre funciona dessa forma: aspectos culturais podem aumentar ou diminuir o potencial empreendedor de um país, segundo a Mastercard.

A aversão ao risco barra o empreendedorismo feminino no Japão, mesmo sendo um país com muita infraestrutura, tecnologia e mão de obra qualificada. Enquanto isso, na Argentina, as empreendedoras conseguem representar a maioria dos criadores de negócios, mesmo com condições não tão favoráveis ao empreendedorismo feminino.

Onde está o Brasil?

O Brasil ficou na 33ª posição do ranking global: ou seja, na metade inferior do Índice de Mulheres Empreendedoras.
O país conta com participação feminina em 28,2% do universo do empreendedorismo, mas elas ocupam mais posições técnicas (55% das mulheres que empreendem) do que de liderança mesmo (38,2% das mulheres que empreendem), aponta a Mastercard.
Mesmo assim, há tendências animadoras para a maior presença de mulheres nos negócios: as empreendedoras brasileiras têm mais acesso à educação superior que seus pares masculinos, tendo 54,6% delas realizado matrícula em universidades e faculdades, contra 40,2% dos empreendedores homens.

O Brasil também é o sexto país com maior avanço em relação à presença feminina em liderança, empreendedorismo e força de trabalho. Ele perde para Filipinas, Tailândia, Botswana, Canadá e Colômbia. O estudo ressalta que esse avanço, porém, pode ser estimulado pela falta de alternativas de sobrevivência financeira

Desafios para o empreendedorismo feminino

Por fim, o Índice de Mulheres Empreendedoras também elencou as seis principais barreiras ao progresso das mulheres de negócios.

Elas são a falta de financiamentos e investimentos; restrições regulatórias e ineficiências institucionais; falta de espírito empreendedor e crença em si mesmas; medo do fracasso; restrições socioculturais; e falta de educação e treinamento. Praticamente todos os 54 países do ranking enfrentam ao menos uma dessas barreiras.

“É evidente que o potencial das mulheres e seu valor como empreendedoras e donas de negócios ainda não foi demonstrado”, afirma o estudo.

“Libertar esse potencial irá requerer um esforço coordenado, foco e estímulo em diversos níveis: motivação pessoal; suporte familiar e social; oportunidades econômicas e políticas; treinamento, financiamento e políticas públicas e privadas; e a formação de relações comerciais e networking empreendedor e executivo, tanto local quanto globalmente.”

Disponível: http://exame.abril.com.br/pme/saiba-quais-sao-os-melhores-paises-para-ser-uma-empreendedora/

 

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VIDHA LINUS

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