Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

sábado, 11 de março de 2017

Governo barra outra vez a divulgação da ‘lista suja’ do trabalho escravo no Brasil

Um dos principais instrumentos de combate à escravidão no país, documento está suspenso há mais de dois anos

 São Paulo
Nesta semana, mais um desdobramento judicial impediu que a sociedade brasileira tenha acesso a uma lista que aponta quem são os empregadores flagrados utilizando trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil. Criada em 2003 e considera pela ONU um modelo para a erradicação da escravidão contemporânea, a chamada Lista Suja do trabalho escravo teve sua divulgação suspensa após vários embates judiciais que começaram no fim de 2014.

Auditores Fiscais do Trabalho resgatam 9 trabalhadores em condição análoga à escravidão no Acre.
Na última terça-feira, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Martins Filho, acatou um pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) e derrubou a liminar que obrigava o Ministério do Trabalho a divulgar o documento. Segundo a AGU, que representa o Governo na Justiça, o objetivo da medida é “dar mais segurança jurídica para a política pública, reduzindo o número de questionamentos judiciais à publicação”. Agora, a lista só poderá ser divulgada após um grupo de trabalho criado pelo Governo Temer discutir uma série de aprimoramentos para o cadastro das empresas. Participarão representantes de vários órgão do Governo e da sociedade civil. O grupo terá 120 dias para analisar as atuais regras e sugerir possíveis alterações. Em janeiro, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já tinha afirmado que optou não divulgar temporariamente a lista por considerar que, na visão da pasta, a portaria que regula o cadastro das empresas não garantia “os instrumentos de efetivo exercício dos direitos constitucionalmente assegurados ao contraditório e à ampla defesa” dos acusados dos crimes.

Esses argumentos, no entanto, são confrontados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) que irá recorrer da decisão do TST. Segundo o coordenador nacional da erradicação do trabalho escravo (Conaete) do MPT, Tiago Cavalcanti, a Lista Suja é o instrumento de enfrentamento à escravidão mais importante que temos no Brasil e atualmente não há motivos para a sua suspensão. “Desde maio do ano passado, o Governo está sendo negligente já que não há nenhum empecilho para a divulgação da lista”, afirma Cavalcanti que discorda que não sejam contemplados aos acusados dos crimes o direito à defesa. A partir da divulgação da lista suja, teoricamente, bancos públicos, como o BNDES e o Banco do Brasil,  deveriam negar crédito, empréstimos e contratos a fazendeiros e empresários que foram flagrados utilizando trabalho escravo. Procurado pela reportagem, o Ministério do Trabalho afirmou que o tema agora está sob a responsabilidade da AGU.

O embate judicial sobre a divulgação da lista começou em dezembro de 2014, após o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowiski, conceder uma liminar atendendo pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). A Associação reúne algumas das principais construtoras do país e é presidida por Rubens Menin, da MRV Engenharia, empresa que já foi autuada por explorar trabalho escravo. Em 2014, a Abrainc argumentava que a portaria de criação do cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão pecava por não prever instâncias de defesa contra a inclusão de nomes da lista. “Por mais que a portaria falasse que assegurava ampla defesa, ela não indicava quais eram os dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que assegurassem isso. Em maio de 2016, no entanto, a portaria foi editada apontando esses dispositivos”, explica Cavalcanti.

Quando o trabalho é considerado escravo?

Desde 1940, o artigo 149 do Código Penal Brasileiro prevê pena de dois a oito anos para quem reduzir alguém à condição análoga à de escravo. Em 2003, a lei foi ampliada, entrando outras disposições que tornam mais amplo o combate a essa forma de exploração, como submeter alguém a trabalhos forçados, jornada exaustiva - em que ele é submetido a esforço excessivo-, condições degradantes de trabalho - que coloquem a vida e a saúde do trabalhador em risco, e restrição da locomoção de ir e vir por dívida.

Após a portaria ser modificada no apagar das luzes do Governo Dilma, a atual presidente da Suprema Corte, ministra Cármen Lúcia, revogou a liminar que suspendia a divulgação da lista. Apesar da decisão do STF no dia 16 de maio, o documento nunca mais voltou a ser publicado, o que incentivou uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho, pedindo a divulgação imediata da lista.

“A verdade é que por trás desse impasse da divulgação da lista suja há interesses econômicos fortes. Quem vai figurar são grandes empresas, pessoal do agronegócio e grandes construtoras. Há um interesse econômico encaçapado nesta questão”, explica Cavalcanti.
Segundo ele, a criação do grupo de trabalho que discutirá o tema não garante tampouco que a lista seja divulgada imediatamente após as discussões. “A experiência também demonstra que esses fóruns nunca terminam nos prazos estabelecidos. E isso só adia a publicação. Poderiam divulgar a lista e continuar discutindo eventuais melhorias”, explica.

Desde que foi criada, a lista suja passou por uma série de evoluções. Em alguns períodos ela tinha uma periodicidade anual, mas, na última reedição da portaria, ficou estabelecido que ela teria uma atualização máxima de seis meses.

Atualmente, o Brasil tem cerca de 160 mil pessoas submetidas à escravidão moderna, segundo a Walk Free Foundation. A ONG australiana aponta que os casos de trabalho escravo são mais concentrados nas áreas rurais, especialmente em regiões do cerrado e na Amazônia. Cavalcanti ressalta, entretanto, que desde 2003 houve um aumento de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão nas áreas urbanas. "Tivemos muitos resgates na indústria têxtil e em obras de construtoras urbanas, inclusive relacionadas às obras das Olimpíadas", explica.

No final do ano passado, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a indenizar um grupo de 128 trabalhadores rurais submetidos a condições de escravidão e tráfico de seres humanos no sudeste do Pará. Os trabalhadores foram libertados do local no ano 2000. No primeiro caso sobre escravidão e tráfico de pessoas decidido pela Corte, o Estado Brasileiro terá que indenizar os trabalhadores em quase 5 milhões de dólares por conivência com o trabalho escravo na Fazenda Brasil Verde, pertencente ao Grupo Irmãos Quagliato, um dos maiores criadores de gados do Norte do país. Por muitos anos, o Estado Brasileiro esteve ciente dos problemas, mas nunca condenou ninguém, nem foi capaz de prevenir outras violações.

"Essa decisão demonstra que estamos sendo observados no âmbito internacional e acredito que a não publicação da lista suja é outro grave equívoco do Governo Brasileiro. Essa negligência pode ser levada outra vez ao âmbito externo, à Corte Internacional", defende Cavalcanti.

Disponível: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/10/politica/1489170825_204287.html
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Serpente que não existe na fauna brasileira é encontrada em SC

Com 1,5 metro, naja, de veneno potente e considerada extremamente agressiva, foi capturada por bombeiros no centro de Balneário Camboriú

Fábio de Castro ,
O Estado de S. Paulo
10 Março 2017 | 23h46 
                                                                                                    Foto: Walter José de Borba Netto
Serpente que não existe na fauna brasileira é encontrada em SC
O animal foi encontrado em uma subestação de tratamento de águas

Uma serpente naja de cerca de 1,5 metro foi capturada por bombeiros na manhã desta sexta-feira, 10, no centro de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A cobra, que tem veneno potente e é considerada extremamente agressiva por especialistas, é encontrada na sul e no sudeste da Ásia e não existe na fauna brasileira.
O animal foi encontrado em uma subestação de tratamento de águas da Emasa, empresa de abastecimento do Estado, de acordo com o soldado Walter José de Borba Netto, do Corpo de Bombeiros catarinense, que coordenou a captura do animal.
Segundo Borba, os funcionários da Emasa trabalhavam no local por volta das 10 horas da manhã, quando encontraram a serpente, já em posição de ataque. 
"Eles nos chamaram imediatamente, nós fizemos o isolamento do local e fizemos o procedimento padrão de captura, utilizando um garrote específico para ofídios. Ao consultar o manual dos bombeiros, vimos que se tratava de uma naja - e nos chamou a atenção o fato de que ela não está no cadastro nacional", disse Borba ao Estado.
De acordo com Borba, a cobra estava extremamente agitada e estressada. "É uma cobra cuspideira. Ela consegue lançar o veneno a mais de um metro de distância e é extremamente perigosa. Sua peçonha é potente o bastante para matar um elefante", afirmou.
Com grande dificuldade, o animal foi coletado em um recipiente apropriado, segundo Borba, por bombeiros equipados com roupas especiais, e depois foi entregue aos cuidados de biólogos do zoológico Santur, também em Balneário Camboriú. 
"O animal é lindo, mas se mostrou muito arisco - e essa espécie está entre as 10 cobras mais venenosas do mundo. A captura não é trivial e tivemos alguma dificuldade, pois nosso garrote não estava calibrado para ela. Ela inflava o pescoço e fazia seu som característico, parecendo bufar. Foi bastante interessante", declarou Borba.
Outro fator que dificultou a captura é que o protocolo de segurança para a manipulação de ofídios exige que se tenha o soro antiofídico, mas, como a naja não existe no Brasil, não há soro para ela no País. "Fizemos a captura com muito cuidado e respeito, para não estressar mais o animal, que tem uma imagem muito estigmatizada na nossa sociedade", declarou.
Borba contou que, já à primeira vista, a coloração amarelada da serpente indicava que ela seria proveniente de áreas mais secas, sem a camuflagem típica das cobras que vivem na Mata Atlântica.
"É um crime ambiental muito sério, principalmente porque ela estava no ambiente urbano. Se ela viesse a morder alguém, com certeza causaria óbito. As pessoas não têm noção da irresponsabilidade que é trazer um animal assim para o Brasil", afirmou. 
Milagre. O ambientalista Alexandre Medeiros, conselheiro do plano gestor da Área de Preservação Ambiental da Costa Brava, em Santa Catarina, disse que a serpente foi identificada como pertencente à espécie Naja kaouthia. 
"É uma cobra com comportamento bastante agressivo e uma peçonha muito potente. Ela é tão agressiva que não pode ser capturada com garrotes normais - o correto é o uso de pinças. Podemos dizer que os bombeiros fizeram um milagre", afirmou.
Segundo Medeiros, existe a possibilidade de que a cobra tenha entrado no País embarcada em um navio, mas ela também pode ter sido trazida ilegalmente para criação. "Ela pode ter escapado, ou pode ter sido abandonada de forma criminosa", disse o ambientalista.
"Nosso maior temor é que outros exemplares tenham sido abandonados em áreas de Mata Atlântica e que venham a se reproduzir por aqui, o que causaria um grave desequilíbrio ambiental, já que não temos predadores de najas no Brasil", explicou.
Segundo Medeiros, um herpetologista - especialista em répteis e anfíbios - será chamado para avaliar o animal e decidir qual será seu destino. "Esperamos que ela seja encaminhada ao Instituto Butantã, em São Paulo, pois lá eles têm cerca de 30 exemplares dessa espécie", disse.

Disponível: http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,serpente-que-nao-existe-na-fauna-brasileira-e-encontrada-em-sc,70001695367
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CUIDADOS: Sesab emite “alerta epidemiológica”, após caso de raiva humana em Paramirim

 Da redação
Atualizado em 11/03/2017 às 10:14   Fonte: Aratu Online
 

Depois de registrar o primeiro caso e, posteriormente, morte por raiva humana na Bahia, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) emitiu alerta para os serviços assistenciais e de vigilância de saúde para a importância da intensificação das ações voltadas à prevenção e controle da raiva humana e animal.
A vítima foi um homem de 46 anos de idade, morador da  cidade de Paramirim, no sudoeste baiano.  De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, o contágio aconteceu quando o homem ordenhava uma vaca e, acidentalmente, pisou em um morcego, que mordeu o pé dele.

Ainda de acordo com a secretaria, o homem procurou um serviço médico após 21 dias do ocorrido, quando foi medicado, mas só revelou que levou a mordida de um morcego após sete dias de internação. Ele ficou em estado grave e chegou a ser transferido para o hospital Couto Maia, porém, foi a óbito no último dia 6 de março.

Após a confirmação do caso, houve intensificação à investigação epidemiológica, busca ativa de casos e ação de bloqueio vacinal na região de Paramirim. A raiva é uma infecção viral mortal transmitida para seres humanos a partir da saliva de animais infectados – geralmente por uma mordida. Uma vez que uma pessoa começa a exibir sinais e sintomas da raiva, a doença é quase sempre fatal.

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Aos 9, ela desmontava brinquedos; hoje, procura rachaduras em aviões

10/03/2017
 
O nome do cargo é complicado: técnica de ensaios não destrutíveis. Na prática, o que Núbia Moreira Fernandes faz é analisar a estrutura dos aviões para detectar falhas que possam comprometer o funcionamento. Seu trabalho determina se um avião pode ou não decolar.

“São testes para detectar uma trinca na fuselagem, numa pá de hélice”, diz. Quando um avião é encaminhado para revisão (check), os testes verificam ainda se o lixamento feito para tirar a corrosão não afinou a estrutura além dos limites permitidos. Ou para ver se, depois de uma colisão com um pássaro (bird strike), alguma peça ficou danificada. O trabalho ocorre durante a noite, no hangar.

O interesse de Núbia por saber como as coisas funcionam vem desde criança. “Quando eu tinha 9 anos, queria saber por que aparecia aquele bonequinho na tela do Tamagotchi”, diz, sobre o animal de estimação virtual que fez sucesso nos anos 1990. A experiência não deu muito certo, lembra. “Foi frustrante, porque eu queria ver como a imagem aparecia, mas não consegui.”

A curiosidade por tecnologia permaneceu. “Sempre gostei de saber como funciona um software, um motor. Isso é uma coisa que me atrai. Sou uma pessoa da área de exatas”.

A mãe de Núbia, no entanto, queria que ela seguisse carreira na área de medicina. Na tentativa de agradar à mãe sem se afastar de sua própria área de interesse, ela fez um curso de radiologia. As técnicas aprendidas podem ser aplicadas tanto em exames de saúde, como os de ressonância magnética, ou no setor industrial, quando se faz uma radiografia dos aviões para detectar falhas, fissuras e desgastes.

E foi por este caminho que ela seguiu, depois de fazer também curso técnico de ensaios não destrutivos no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial. Há cinco anos, ela trabalha na companhia aérea Azul.

Núbia reconhece que não é muito comum ver mulheres na área de manutenção de aviões – ela diz que, em uma equipe de mais de 100 pessoas, aproximadamente dez são mulheres. “Todas são apaixonadas pelo que fazem”, afirma.

A profissional diz não ter sentido nenhuma dificuldade maior em desempenhar sua função por ser mulher. O único desafio enfrentado, em sua opinião, foi o de ganhar a confiança da equipe no início da carreira. “Eu tinha 21 anos quando comecei na área, e tinha que falar com pessoas que trabalhavam com aquilo há 15, 20 anos, que não tinha ficado muito bom, que tinha de refazer. Era complicado, só que mais pela idade do que por ser mulher. Foi só o tempo necessário de adaptação, o tempo para eu mostrar minha capacidade. Tirei de letra.”

Núbia chegou a trabalhar em escritórios e num pet shop antes de seguir carreira na aviação.

Professora virou mecânica


Outra funcionária do setor de manutenção também passou por uma área bem diferente antes de chegar ao setor aéreo. Ana Paula Ostroschi foi professora estagiária do ensino fundamental, mas percebeu que não queria dar aulas. Uma prima, que era comissária de bordo, falou para ela fazer o curso.

“Fui na escola de avião e o curso de mecânica me chamou mais a atenção”, diz. “Éramos duas mulheres na classe, eu e uma amiga, a quem eu convenci fazer o curso comigo. No fim ela desistiu e eu permaneci até a conclusão.”

O trabalho de Ana Paula é feito nos intervalos de chegadas e saídas dos aviões no aeroporto. Quando os aviões pousam, é feita uma inspeção externa para verificar se há vazamentos hidráulicos, de combustível, se há algum dano no motor ou na fuselagem. São manutenções rápidas, como uma troca de rodas, abastecimento de óleo e combustível.

“No trânsito, trabalhamos com uma pochete com algumas ferramentas básicas, como chave de fenda, alicate, chave colar, somente para ajustes rápidos em poltronas, motor, equipamentos diversos”.

Ao contrário de Núbia, Ana Paula diz sentir que precisa reafirmar sua competência no dia a dia mais do que outros colegas. Um comentário comum é o de que ela tem mais perfil para ser comissária do que para trabalhar como mecânica de aviões, uma função que muitos consideram ser só para homens.

“Já aconteceu de eu estar abastecendo o motor com óleo e um passageiro ir até um colega e perguntar se era eu a mecânica responsável pelo avião que ele iria voar, com certo ar de espanto no rosto. Então, preconceito ainda vou ter que enfrentar, mas estou preparada”.


Fonte: UOL 
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sexta-feira, 10 de março de 2017

Ciclistas usam 'respeitômetro' para mostrar distância a motoristas no RS

Estrutura acoplada a bicicletas é semelhante a régua tem largura de 1,5m.
Distância deve separar carros de ciclistas conforme a legislação de trânsito.


09/03/2017 22h09 - Atualizado em 09/03/2017 22h09  Do G1 RS

Distância de 1,5m deve separar carros e motoristas (Foto: Guilherme Formiga, divulgação/DetranRS)
Distância de 1,5m deve separar carros e motoristas (Foto: Guilherme Formiga, divulgação/DetranRS)
Uma iniciativa com objetivo de conscientizar motoristas sobre respeito no trânsito levou nesta quinta-feira (9) várias bicicletas para a rua em Porto Alegre com o "respeitômetro" acoplado. A estrutura, semelhante a uma régua, tem largura de 1,5m, e é usada para demonstrar a distância que deve separar carros de ciclistas conforme a legislação.
A ação foi realizada pelo Detran-RS, em conjunto com a Mobicidade, Associação de Ciclistas de Porto Alegre (ACPA) e Laboratório de Políticas Publicas e Sociais (Lappus). As bicicletas com o equipamento circularam pela Avenida Wenceslau Escobar, na Zona Sul.
O diretor-geral do Detran-RS, Ildo Mário Szinvelski, acredita que o ciclista não pode mais ser visto como um intruso, mas como um partícipe do trânsito. "Vocês, ciclistas, estão fazendo história, uma história de construção de um trânsito mais humano".
A iniciativa marca o Dia de Mobilização pela Segurança dos Ciclistas, após um grupo de trabalho desenvolver um trabalho para informar sobre a legislação relacionada às bicicletas no trânsito. "Concluímos que falta a muitos motoristas a consciência de que a bicicleta é um veículo e que seu espaço nas ruas junto com carros, ônibus e motos é garantido por lei”, explica a coordenadora do grupo de trabalho, Laís Silveira.
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5 mitos e verdades sobre o câncer antes dos 30 anos

Segundo pesquisa recente do Inca, o câncer é a segunda maior causa de morte de pessoas entre 15 a 29 anos no Brasil

Menina fumando
O tabagismo pode contribuir para surgimento de alguns tipos de câncer ainda na juventude (Terroa/Thinkstock)

São Paulo – Uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou que o câncer é a segunda maior causa de morte de pessoas entre 15 a 29 anos no Brasil, perdendo apenas para “causas externas”, que envolvem óbitos por acidentes e violência.
Entre os anos de 2009 e 2013, estima-se que 17.500 jovens morreram no país por conta da doença. Mas o que faz pessoas tão jovens desenvolverem câncer? Apenas fator genético? Ou o estilo de vida pode influenciar no aparecimento da doença tão precocemente?
EXAME.com conversou com o oncologista Roberto de Almeida Gil, da Oncoclínica no Rio de Janeiro, para desmitificar os mitos sobre o câncer na juventude.
Confira abaixo os mitos e verdades sobre o câncer antes dos 30 anos, segundo o especialista: Por dentro do assunto: Conheça os direitos sociais das pessoas com câncer – Patrocinado 
1 – O câncer antes dos 30 anos é 100% hereditário? 
Mito. De acordo com Gil, é importante sim que as pessoas conheçam a sua história familiar, já que o câncer hereditário se manifesta predominantemente em pacientes com menos de 50 anos, mas alerta que não é só isso.
“Atualmente, estamos expostos a muitos agentes químicos, físicos e biológicos que podem causar a doença. Bons hábitos alimentares, exercícios físicos, não fumar, controlar a ingestão de bebidas alcoólicas, usar preservativos, cuidar da exposição ao sol e manter hábitos sexuais saudáveis são atitudes que podem prevenir o desenvolvimento do câncer antes dos 30”, explica o especialista.
2 – Sobrepeso e obesidade podem causar câncer?
Verdade. Segundo o oncologista, o sobrepeso e a obesidade podem estar relacionados aos seguintes tipos de câncer: intestino, endométrio, próstata, pâncreas e mama.
“Hábitos importantes como o combate ao sedentarismo e a redução do consumo de alimentos industrializados e embutidos são essenciais para diminuir os riscos do surgimento da doença”, afirma Gil.
3 – Existem vacinas que previnem certos tipos de câncer antes dos 30?
Verdade. Uma grande arma da medicina moderna é a vacina contra o HPV, que previne câncer de colo de útero. Segundo o especialista, existem dois tipos de vacina no mercado: as bivalentes e as tetra valentes.
Inicialmente, o governo disponibilizou a vacina para meninas de forma gratuita. Entretanto, com a percepção de que o vírus do HPV também causa câncer de orofaringe, os meninos também estão sendo vacinados na rede pública.
A vacina de Hepatite B podem também pode prevenir alguns tipos de câncer.
4 – O tabagismo pode provocar câncer somente após os 50 anos?
Mito. De acordo com Gil, o câncer esporádico, ou seja, aquele não hereditário ocorre frequentemente após os 50 anos devido ao acúmulo de mutações que se perpetuam no nosso código genético, mas a doença pode aparecer antes e a iniciação precoce do tabagismo pode contribuir para surgimento de alguns tipos de câncer ainda na juventude.
5 – Toda mulher que contrai HPV terá câncer?
Mito. O vírus do HPV é a principal causa do desenvolvimento do câncer uterino. De acordo com o oncologista, há, no entanto, 40 tipos de vírus HPV e nem todos causam câncer. “Para que esse tipo de câncer surja, há outros fatores associados, como baixa imunidade, tabagismo, múltiplos parceiros sexuais”, explica Gil.
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Gigantescas estátuas de faraós são encontradas em fossa egípcia

As relíquias foram encontradas no distrito de Mattarya, local da antiga capital Heliópolis, hoje um bairro populoso nos arredores do Cairo

Estátua do faraó Ramsés II encontrada em fossa, no Cairo, Egito, dia 09/03/2017
Estátua: alguns dos restos correspondem a uma estátua de oito metros de comprimento, esculpida em quartzo, e que representa "provavelmente" o próprio Ramsés II (Mohamed Abd El Ghany/Reuters)
Uma equipe de arqueólogos anunciou a descoberta no Cairo de duas estátuas de faraós de mais de 3.000 anos de antiguidade.
As relíquias foram encontradas no distrito de Mattarya, local da antiga capital Heliópolis, hoje um bairro populoso nos arredores do Cairo.
O anúncio da descoberta, feito na quinta-feira à noite, reforça a hipótese sobre a escultura gigantesca do Templo do Sol que se encontrava nesse local na época do faraó Ramsés II.
Segundo Ayman Ashmawy, o chefe da equipe de arqueólogos egípcios e alemães, alguns dos restos correspondem a uma estátua de oito metros de comprimento, esculpida em quartzo, e que representa “provavelmente” o próprio Ramsés II.
“Esta estátua não pode ser identificada, mas o fato de que se encontre às portas do templo do rei Ramsés II poderia significar que lhe pertence”, explicou o ministério egípcio de Antiguidades em um comunicado.
O outro fragmento da estátua é de calcário, e pertenceria à época do rei Seti II.
Ramsés II e Seti II eram faraós da dinastia XIX, que governaram de 1314 a 1200 a.C.
“A descoberta das duas estátuas mostra a importância de Heliópolis, dedicada ao culto de Rá”, o deus do Sol do Antigo Egito, explicou Ashmawy.
Heliópolis ficou muito danificada durante a época greco-romana, quando a maior parte dos seus obeliscos e colossos foi transportada a Alexandria ou à Europa.
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Esta água-viva é a criatura mais “cósmica” que você vai ver hoje

Quem precisa de alienígena quando se tem um ser tão encantado como esse na Terra?


                 Fonte: EXAME/ABRIL
Água-viva cósmica: trachymedusa de Rhopalonematid
(NOAA/Reprodução)

São Paulo – Os oceanos cobrem mais de 70% de todo o Planeta, mas nós exploramos menos de 5% dessa vastidão azul. Quando resolvemos mergulhar mais fundo nos mistérios marinhos, encontramos seres tão diferentes e singulares que até parecem de outro planeta.
Exemplo disso é uma água-viva de contornos e movimentos “cósmicos” filmada nos santuários marinhos na região da Samoa Americana, no Pacífico, durante uma expedição da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA).
A criatura de aspecto translúcido identificada como trachymedusa de Rhopalonematid, uma espécie do mar profundo, encantou os cientistas. Apesar de não ser nova para a ciência, sua aparição é raríssima.
Em vídeo feito pela NOAA, os órgãos reprodutivos da água-viva aparecem em amarelo brilhante e seu sistema digestivo, vermelho. Como ela se move na escuridão, mais se assemelha a um disco voador.
Confira no vídeo:

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Doença emergente que afeta gatos pode atingir humanos

Doença se chama esporotricose e é causada por um fungo que vive naturalmente no solo

Esporotricose, doença que atinge sobretudo gatos
Esporotricose: doença se concentra em animais da periferia e de comunidades carentes (Isabella Dib Gremião/Agência Fapesp)

Há uma doença emergente que se alastra pelo Brasil, mas da qual pouco se tem falado, a não ser no Rio de Janeiro.
O gato é a maior vítima do problema, uma micose causadora de lesões sérias e potencialmente fatais quando não tratadas em tempo hábil.
A doença se chama esporotricose e é causada por um fungo que vive naturalmente no solo, o Sporothrix sp..
No Brasil, Sporothrix brasiliensis é o agente etiológico mais prevalente, embora S. schenckii também seja encontrado em menor proporção.
Por meio de unhadas (o termo técnico é “arranhadura”), os gatos infectados transmitem o fungo a outros felinos, a cães e também a seus donos.
As lesões em humanos e cães geralmente não são tão severas como nos felinos e raramente impõem risco à vida.
Mesmo em gatos, que são mais afetados, a doença tem cura, mas o tratamento é caro e demorado.
E a doença se concentra em animais da periferia e de comunidades carentes, o que dificulta o tratamento devido principalmente ao custo.
“No Brasil, a esporotricose humana não é uma doença de notificação compulsória e, por isso, a sua exata prevalência é desconhecida”, disse a veterinária Isabella Dib Gremião, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz).
“Desde julho de 2013, devido ao status hiperendêmico da esporotricose no Rio de Janeiro, a doença se tornou de notificação obrigatória no estado. Apenas no INI/Fiocruz, unidade de referência no Rio de Janeiro, mais de 5 mil casos humanos e 4.703 casos felinos foram diagnosticados até 2015”, disse a pesquisadora.
Apenas naquele ano, segundo dados da Vigilância Sanitária do município do Rio de Janeiro, foram 3.253 casos felinos. Já em 2016, verificou-se um aumento de 400% no número de animais diagnosticados. Ao todo, o órgão fez 13.536 atendimentos no ano passado – seja nos institutos públicos veterinários, em assistência domiciliar ou comunitária. Em pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro registrou no ano passado 580 casos.
Essas estatísticas se referem apenas aos casos notificados. Os pesquisadores apontam que o nível de subnotificação deve ser grande. Gremião é a primeira autora de um trabalho que acaba de ser publicado na revista PLOS Pathogens sobre a transmissão da esporotricose entre gatos e humanos.
O biólogo Anderson Rodrigues, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), outro dos autores do artigo, estuda a genômica das muitas espécies do gênero Sporothrix (são 51, sendo cinco de relevância médica) para comparar seus DNAs com o do S. brasiliensis, o agente causador da doença emergente no Brasil e de longe a espécie mais virulenta.
Em pesquisa em seu pós-doutorado com Bolsa da FAPESP, Rodrigues descreveu em 2016 uma nova espécie, Sporothrix chilensis, isolada a partir do diagnóstico de um caso humano em Viña del Mar, no Chile.
“A análise comparativa dos genomas de Sporothrix permitirá identificar grupos de genes especificamente ligados aos fatores de virulência e mecanismos de sobrevivência durante a infecção”, disse Rodrigues.
“Nossa expectativa é ampliar significativamente a compreensão da diversidade genética e resposta fisiológica em Sporothrix, um passo inicial para o desenvolvimento de métodos melhores para controle desses patógenos”, disse.

Transmissão e tratamento

Não se sabe como o Sporothrix brasiliensis começou a infectar os gatos. Até o aumento no número de casos no Rio de Janeiro, a esporotricose era considerada uma doença muito esporádica e ocupacional, lembra Rodrigues.
Ela é conhecida como a “doença dos jardineiros”, pelo fato de os primeiros casos diagnosticados nos Estados Unidos no fim do século 19 terem sido entre plantadores de rosas.
O fungo ocorre naturalmente no solo e sobre a superfície de plantas como a roseira. No caso norte-americano, os pacientes se infectaram ao se arranhar em seus espinhos.
O primeiro diagnóstico de esporotricose animal no Brasil é de 1907, entre ratos naturalmente infectados nos esgotos da cidade de São Paulo – os primeiros casos felinos ocorreram nos anos 1950.
“A doença tradicionalmente acometia uma a duas pessoas ao ano. Mas em 1998 o total de casos no Rio de Janeiro começou a crescer”, disse o professor Zoilo Pires de Camargo, chefe do Laboratório de Micologia Médica e Molecular da Unifesp e coordenador do Projeto Temático “Biologia Molecular e Proteômica de fungos de interesse médico: Paracoccidioides brasiliensis e Sporothrix schenckii”, conduzido de 2010 a 2016 com apoio da FAPESP, orientador de Rodrigues no seu pós-doutorado.
Do Rio de Janeiro, a doença se espalhou para outras cidades fluminenses, e de lá para outros estados. A recente emergência da esporotricose felina na região metropolitana de São Paulo chama a atenção dos pesquisadores da Unifesp e do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde 1.093 casos foram confirmados nos últimos anos.
Já há casos de esporotricose em todo o Sudeste e o Sul do Brasil. Começam também a se manifestar na região Nordeste e no exterior. Em Buenos Aires, em 2015, foram relatados cinco casos humanos positivos.
Apesar de existir outras espécies de fungos do gênero Sporothrix espalhadas pelo mundo e que também provocam a doença, segundo os pesquisadores a epidemia brasileira é única, pelo agente etiológico a atacar felinos, por ter se tornado uma zoonose a partir do momento que os gatos passaram a transmitir o fungo aos humanos e pelo expressivo número de casos.
“Nos anais da medicina, o maior surto de esporotricose teria ocorrido nos anos 1940 entre mineiros na África do Sul.
A origem da infecção nos 3 mil casos relatados estava no madeiramento de sustentação das galerias das minas, onde havia colônias de Sporothrix. Uma vez identificados os focos, a madeira foi tratada e a epidemia acabou”, disse Camargo.
No Brasil, além da falta de capacidade de fazer diagnósticos em larga escala nas esferas municipal, estadual e nacional, falta acesso a remédios para tratar a doença.
O medicamento de referência é o antifúngico itraconazol, de preço elevado. A cada mês e ao longo de seis meses são necessárias no mínimo quatro caixas: duas para tratar o animal e outras duas para o tutor, caso este esteja doente.
Como todo proprietário de gatos sabe, por mais queridos que sejam seus bichanos eles arranham, principalmente em situação de estresse como na hora de dar remédio.
Enquanto não estiver livre do fungo, o gato pode continuar transmitindo o fungo. Após o primeiro ou o segundo mês de tratamento, geralmente as lesões desaparecem, mas o fungo, não. “A interrupção do tratamento antes de seis meses pode levar ao ressurgimento das lesões”, disse Camargo.
Não se conhece a razão pela qual os gatos são tão suscetíveis ao Sporothrix brasiliensis nem porque neles a doença é tão grave. Um gato com lesões pode ter o fungo em suas garras. Ao brigar com outro gato, um cão ou perseguir um rato, ele passa o fungo por meio de arranhaduras.
As arranhaduras nos gatos ocorrem geralmente na cabeça, local mais comum do aparecimento de lesões, mas não o único. O fungo presente nas lesões destrói progressivamente a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos e até ossos. Além disso, o fungo pode acometer os órgãos internos, agravando o quadro clínico.
“Quando o animal chega a essas condições, é comum ele ser abandonado pelos donos. Vai para a rua e alimenta a cadeia de transmissão. Se o gato morre, ele é enterrado no quintal ou num lixão, que serão contaminados pelo fungo presente no cadáver”, disse Gremião.
Segundo a pesquisadora, além da capacidade de diagnosticar todos os casos e do acesso ao medicamento, o combate ao surto de esporotricose exige que os governos realizem campanhas educativas sobre a guarda responsável do animal.
Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp.
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Marcadas no Brasil, tartarugas aparecem no Caribe

Recaptura de dois exemplares da espécie Eretmochelys imbricata (tartaruga-de-pente) impressiona pesquisadores do Projeto Tamar
Publicado: Sexta, 03 de Março de 2017, 14h00
1TARTARUGA

Brasília (03/03/2017) – Pesquisadores do Projeto Tamar, mantido pela união de esforços da Fundação Pró-Tamar e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Centro Tamar/ICMBio), ficaram impressionados com duas recentes recapturas internacionais de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): uma nas Bermudas e outra na ilha Barbados, no Caribe.

As duas tartarugas foram marcadas como juvenis no Atol das Rocas, no Brasil. As recapturas confirmam que os animais desta espécie realizam regularmente longas migrações, durante as diferentes fases de seu ciclo de vida. Os dados obtidos pelo Tamar no País têm contribuído para incrementar o conhecimento sobre a natureza migratória dessa espécie criticamente ameaçada de extinção e ajudado a protegê-la.

As campanhas de marcação no Brasil começaram nas áreas de desova, em 1982, mas desde 1989 esforços também são conduzidos para identificação dos animais juvenis em suas áreas de alimentação. A metodologia envolve a captura e a marcação dos animais utilizando duas anilhas metálicas, aplicadas uma em cada nadadeira anterior da tartaruga.

“A partir daí o animal é individualizado e devolvido ao mar, possibilitando identificá-lo em uma posterior recaptura e comparar os dados, gerando informações valiosas para a conservação, como as taxas de crescimento, deslocamentos e sobrevivência”, diz o coordenador do Tamar em Fernando de Noronha e no Rio Grande do Norte, Armando Barsante.

Bermudas e Barbados

A tartaruga que foi recapturada nas Bermudas, havia sido marcada em janeiro de 2006 com 56 cm de comprimento de casco e ainda vista mais duas vezes no Atol das Rocas em 2008. De acordo com o coordenador, na primeira captura notou-se que a nadadeira posterior esquerda estava quebrada.

“Isto não foi um empecilho para que ela nadasse mais de 5.190 quilômetros até as Bermudas, tendo sido capturada por um pescador que a fisgou em um anzol no dia 22 de maio de 2015. O pescador chamou o resgate e ela foi admitida no programa de reabilitação do Museu e Aquário das Bermudas para remoção do anzol e tratamento. Pelo tamanho que apresentou (62 cm de casco) o animal provavelmente ainda se encontrava em estágio juvenil”, conta Barsante.

A outra recaptura, em Barbados, foi ainda mais extraordinária, segundo o coordenador do Tamar, pois a tartaruga foi avistada desovando em duas ocasiões. Marcada ainda juvenil, em fevereiro de 2005 com 56 cm de comprimento de casco, essa tartaruga migrou mais de 3.400 quilômetros até chegar na sua área de reprodução, medindo 90 cm de casco.

“Esse é um registro raro, de uma tartaruga possível de acompanhar a mudança do estágio de vida de juvenil para adulto”, destaca Barsante. As tartarugas marinhas são conhecidas por crescerem lentamente, levando frequentemente mais de três décadas para atingirem a maturidade sexual.

Outras quatro tartarugas de pente marcadas como juvenis no Atol das Rocas também foram vistas desovando na costa do Brasil, sendo duas no Rio Grande do Norte (nas praias de Malembá e Olho D’água) e outras duas na Bahia (em Ilhéus e Itacimirim).

Na África

Na década de noventa, uma tartaruga-de-pente marcada no Atol das Rocas foi recapturada na Africa, em Dakar, Senegal, a uma distância de aproximadamente 3.680 quilômetros. Pouco depois, duas tartarugas-de-pente marcadas em Fernando de Noronha foram recapturadas na Guiné Equatorial e Gabão, percorrendo uma distância de pouco mais de 4.600 quilômetros.

No Brasil, a tartaruga-de-pente é conhecida por desovar exclusivamente no litoral continental, com concentrações mais expressivas no litoral norte da Bahia e no litoral sul do Rio Grande do Norte, mas existem desovas também em menores concentrações por toda a região Nordeste.

As juvenis estão distribuídas pela costa norte-nordeste e menos frequentemente na costa sul-sudeste. Importantes áreas de alimentação são conhecidas nas ilhas oceânicas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas, onde mais de 700 tartarugas de pente juvenis já foram marcadas.

Para animais que podem se dispersar por uma área tão vasta, são necessários vários métodos que facilitem a sua detecção. As anilhas metálicas são meios muito eficazes, pois permitem que qualquer pessoa, qualquer civil comum que encontre uma tartaruga viva ou morta, identifique visualmente se é um animal marcado ou não.

As anilhas contêm informações de contato do Projeto Tamar, possibilitando que a pessoa entre em contato para repassar a informação. Esses retornos de dados são considerados preciosos pelos pesquisadores e podem contribuir muito para ampliar o conhecimento sobre esses animais e ajudar a protegê-los. Veja como entrar em contato aqui.

O Tamar

O Projeto Tamar começou nos anos 80 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, hoje o projeto é a soma de esforços entre a Fundação Pró-Tamar e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarutas Marinhas, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Centro Tamar/ICMBio).

Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Comunicação ICMBio – (61) 2028-9280 – com informações do Projeto Tamar
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VIDHA LINUS

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