Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

sábado, 14 de janeiro de 2017

Novo INCT vai fazer o monitoraramento da dinâmica da água e do carbono na caatinga

Pesquisadores do INCT OndaCBC buscam entender como funcionam os balanços de água, carbono e nutrientes do bioma e como eles impactam o clima do planeta. Recursos para a formação do grupo somaram R$ 1,8 milhão.

Por Ascom do MCTIC
Publicação: 13/01/2017 | 14:58
Última modificação: 13/01/2017 | 15:06
Estudos focam no impacto do semiárido para a formação do clima do planeta.
Crédito: Ascom/MCTIC
Com a missão de observar e coletar informações sobre a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, foi criado o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma da Caatinga (OndaCBC). O centro é a mais nova rede multidisciplinar de pesquisa do Nordeste e irá contribuir para auxiliar na preservação do clima do planeta, desenvolvendo pesquisas experimentais em dinâmica de água e carbono no semiárido brasileiro. O INCT recebeu recursos da ordem de R$ 1,8 milhão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
A rede é composta por pesquisadores nacionais e internacionais que atuam em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O objetivo é reunir estudos já existentes sobre o assunto e organizar novos grupos de pesquisa nas instituições parceiras para conduzir estudos de longo prazo em escala regional, sistematizar o conhecimento, formar recursos humanos, além de subsidiar a formulação de políticas públicas para apoiar a adaptação dos sistemas de uso da terra à variabilidade climática da região.
"Sabe-se que as mudanças climáticas irão afetar os fluxos de energia, vapor d´água e gás carbônico entre os ecossistemas e a atmosfera. Contudo, ainda existe uma falta de informações detalhadas caracterizando essas trocas entre a atmosfera e alguns ecossistemas de regiões tropicais, como a caatinga e as pastagens. Fica evidente que serão necessárias ações que viabilizem a adaptação a essas condições futuras", explica o coordenador do OndaCBC e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Antonio Celso Antonino.
Segundo o pesquisador, os balanços de água e de energia são cruciais para o entendimento dos processos ecológicos relacionados com o sequestro de carbono em ecossistemas terrestres. Muitos processos importantes que ocorrem nos ecossistemas, como a fotossíntese da flora e a produtividade da vegetação, estão associados às trocas de água e de energia. A adaptação dos sistemas de produção agropecuária para enfrentar a variabilidade climática futura requer, antes de tudo, um conhecimento detalhado sobre o estado atual e o funcionamento desses sistemas no presente.
"Para os agroecossistemas do Nordeste, com ênfase no bioma caatinga, esse conhecimento é ainda muito limitado devido ao pouco avanço das pesquisas dessa natureza nessa região. O desenvolvimento de sistemas agropecuários mais produtivos e sustentáveis é um enorme desafio, principalmente perante os potenciais impactos das mudanças climáticas projetadas para o futuro. Particularmente, as regiões áridas e semiáridas são mais vulneráveis aos impactos das mudanças no clima e devem sofrer redução na disponibilidade de recursos hídricos e aumento na sua área. No Brasil, a região semiárida do Nordeste é mais exposta aos riscos da variabilidade. Além disso, o semiárido do Nordeste brasileiro é o mais populoso do planeta", alerta.
Trajetória
Ao longo dos últimos anos as equipes de pesquisadores têm desenvolvido estudos sobre a dinâmica da água, carbono e nutrientes em ecossistemas e regiões que são representativas das principais condições edafoclimáticas (relação planta-solo-clima para plantio) da caatinga. Nessas pesquisas foram implantadas áreas experimentais de longo prazo em vários locais ao longo do bioma. Além de pesquisas experimentais, são desenvolvidas, também, atividades de modelagem hidrológica, climática, de fluxos de água e de ciclagem biogeoquímica.
"O novo que estamos fazendo é a pesquisa em rede, a união desses grupos de pesquisas no INCT OndaCBC. É uma iniciativa pioneira e importante para a região e para o país em função da grande lacuna nos dados para as estimativas dos estoques de carbono e nitrogênio e das emissões e remoções de gases de efeito estufa no bioma caatinga", afirma Antonino.
Os pesquisadores também pretendem verificar os modelos das mudanças no uso da terra, analisar as estimativas sobre a conversão da caatinga em pastagens e áreas agrícolas, o efeito nos fluxos de gás carbônico e o nível de evapotranspiração (perda de água do solo para atmosfera a partir da evaporação), que são processos importantes para o entendimento de como ocorre a emissão e o sequestro de carbono e o respectivo impacto na modelagem dos efeitos das mudanças climáticas na região.
"O OndaCBC contribuirá no aprimoramento de estimativas relativas à mudança no uso da terra, como conversão da caatinga em pastagens e/ou áreas agrícolas e seu efeito nos fluxos de gás carbônico, de água e de energia, processos cruciais para o entendimento de como ocorrem o sequestro ou emissão de carbono nesse bioma e os fluxos de água para reservatórios. Estas ações contribuirão para uma modelagem mais eficiente dos efeitos das mudanças climáticas na caatinga, subsidiando as atividades previstas nos planos estaduais para o enfrentamento das mudanças climáticas, nos arranjos produtivos locais [APLs] e nos programas estaduais de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca [PAE] e no Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa", explica o coordenador.
Tecnologia
A pesquisa utiliza torres de medidas que estão instaladas nos municípios pernambucanos de Garanhuns, Serra Talhada e Petrolina. Os pesquisadores pretendem avaliar a dinâmica da água e de carbono no sistema solo-caatinga-atmosfera e os fluxos de água, energia e gás carbônico na interface desse sistema nos três estados estudados: Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte; e também compreender os diferentes fatores ambientais que regulam a fixação biológica de nitrogênio nas principais culturas de interesse econômico e vegetação nativa da caatinga.
Cada torre reúne diferentes equipamentos: um anemômetro sônico (instrumento que mede a velocidade do vento) e um sistema que determina a concentração dos gases por infravermelho. A energia para alimentar esses sistemas vem de baterias com painéis solares.
"Tecnologias modernas vêm sendo empregadas no desenvolvimento do projeto, como a microtomografia computadorizada de raios-x, o radar geológico e o método da covariância dos vórtices turbulentos para determinação dos fluxos de energia e de massa, vapor de água e gás carbônico", detalha Antonio Celso Antonino.
As torres foram instaladas em áreas de caatinga contíguas com pasto, pois, do ponto de vista acadêmico, a ideia é poder avaliar a vegetação nativa e o pasto, que representa um uso diferente da terra. Os dados climáticos, ecohidrológicos e da ciclagem biogeoquímica de carbono são coletados nas torres a cada 15 dias.
Os planos para 2017 e próximos anos incluem a conclusão de um sistema de acesso remoto aos dados das torres de medidas, a padronização da instrumentação e análise de dados das torres, estabelecendo o número de sensores que cada uma deve ter.
"Estamos tentando um sistema para que tenhamos certo controle a distância, em tempo real, de alguns parâmetros e que possamos, em caso de problemas nas torres, fazer alguma intervenção imediata. Vamos estabelecer a maneira de coletar, tratar e calcular os fluxos de forma extremamente padronizada para que cada um possa ter as informações da rede. O objetivo é que esse INCT seja uma base importante de evolução do pesquisador e do grupo. Nossa ideia é que esse instituto não deixe de atuar nunca mais, seja permanente. Queremos criar essa sinergia, onde cada pesquisador, onde cada instituição só tenha a ganhar, a crescer", afirma Antonino.
Fonte: MCTIC
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Greenpeace pede que Europa amplie proibição de pesticidas nocivos a abelhas

Greenpeace pede que Europa amplie proibição de pesticidas nocivos a abelhas
(Arquivo) Foto tirada em 10 de junho de 2015 mostra colméia - AFP/Arquivos
A Europa deveria expandir a proibição dos pesticidas prejudiciais às abelhas, afirmou o grupo ambientalista Greenpeace nesta quinta-feira, ao divulgar um relatório que alerta para os riscos generalizados à agricultura e ao meio ambiente.
O relatório, encomendado pelo Greenpeace a biólogos da Universidade de Sussex, concluiu que a ameaça que os pesticidas neonicotinoides representam para as abelhas era maior do que foi estabelecido em 2013, quando a União Europeia adotou uma proibição parcial.
“Novas pesquisas reforçam os argumentos para a imposição de uma moratória” ao uso de três neonicotinoides – clotianidina, imidacloprida e tiametoxam, concluiu a análise.
“Tornou-se evidente que eles representam riscos significativos para muitos organismos, não apenas abelhas”, acrescentou.
Uma revisão global de novembro passado apontou que cerca de 1,4 bilhão de empregos e três quartos de todas as colheitas dependem de polinizadores, principalmente abelhas.
Há cerca de 20.000 espécies de abelhas responsáveis ​​por fertilizar mais de 90% dos 107 principais cultivos do mundo.
No ano passado, as Nações Unidas disseram que 40% dos polinizadores invertebrados – particularmente as abelhas e borboletas – correm risco de extinção mundial.
As populações de abelhas foram atingidas na Europa, América do Norte e outros lugares por um misterioso fenômeno chamado “distúrbio do colapso das colônias”. A praga foi atribuída a ácaros, um vírus ou fungo, pesticidas, ou uma combinação de fatores.
“Esses insetos essenciais estão em sérias dificuldades”, escreveu o Greenpeace em um prefácio ao relatório de quinta-feira, que segundo seus autores envolveu a análise de centenas de estudos científicos publicados desde 2013.
“O caso de que os neonicotinoides estão contribuindo para a diminuição das abelhas selvagens e agravando problemas de saúde das abelhas é mais forte do que era quando a proibição parcial da UE foi adotada”, disse o coautor Dave Goulson.
Os neonicotinoides também parecem estar ligados a declínios nas populações de borboletas, pássaros e insetos aquáticos, disse Goulson em um comunicado.
“Dada a evidência de danos ambientais tão generalizados, parece prudente estender o alcance da atual restrição europeia”, afirmou.
Os neonicotinoides são pesticidas sintetizados em laboratório com base na estrutura química da nicotina.
Eles foram introduzidos em meados da década de 1990 como um substituto menos nocivo a antigos tipos de pesticidas, e hoje são amplamente utilizados. São absorvidos pela planta em crescimento e atacam o sistema nervoso de pragas de insetos.
Mas estudos apontaram que os neonicotinoides são responsáveis por prejudicar a reprodução e a procura de alimentos das abelhas, ao diminuir a qualidade do esperma e embaralhar a memória e funções de navegação. Eles também têm sido associados a uma menor resistência a doenças.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) declarou em 2013 que os neonicotinoides representavam um “risco inaceitável” para as abelhas, e determinou uma moratória temporária, que excluía o uso desses pesticidas em cevada e trigo, assim como em jardins e espaços públicos.
Uma nova avaliação dos neonicotinoides pela EFSA está prevista para ser concluída no segundo semestre deste ano.
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Campo Grande ganha lei que obriga escolas públicas a terem hortas educativas

As hortas serão cultivadas com a participação dos alunos, sob supervisão da direção e dos professores da escola.
9 de janeiro de 2017 • Atualizado às 12 : 03

Campo Grande ganha lei que obriga escolas públicas a terem hortas educativas
O intuito do projeto é aumentar a disponibilidade de alimentos saudáveis aos alunos. | Foto: Divulgação
O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal sancionou, no último mês, a lei 5.769, que institui o “Programa Hortas Escolares”, nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme), cujos produtos serão destinados à complementação da merenda escolar oferecida aos alunos do respectivo estabelecimento de ensino.
Esta Lei será regulamentada no prazo de 60 (sessenta dias), que deve coincidir com o início do período letivo de 2017. As hortas serão cultivadas com a participação dos alunos, sob supervisão direta da direção e dos professores da escola. As entidades educacionais poderão receber doações de produtos da comunidade, bem como o município poderá celebrar convênios com entidades para a execução da lei.
Conforme determinado pela legislação, as ações a serem implementadas no ambiente escolar deverão incluir: estratégias que incentivem e envolvam a comunidade nas atividades escolares, sensibilização e capacitação dos profissionais envolvidos com a alimentação nas escolas e estratégias de informação às famílias, para mostrar a importância de trabalhar em conjunto em prol da educação nutricional dos alunos.
As escolas devem passar por modificações para receberem tanto o cultivo de alimentos, como adequação para os locais em que as refeições são feitas. O intuito do projeto é aumentar a disponibilidade de alimentos saudáveis aos alunos, incluindo frutas, legumes e verduras, ao mesmo tempo em que promove o intercâmbio de informações e vivências entre as escolas e comunidades do município.
Conforme informado pela prefeitura de Campo Grande, a implementação do Programa Hortas Escolares será contínuo de educação nutricional e de promoção de hábitos alimentares saudáveis, considerando-se o monitoramento do estado nutricional do aluno e o controle e a prevenção dos distúrbios relacionados à nutrição.

Da Prefeitura de Campo Grande
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Capela do Alto Alegre - Matadouro Municipal será transformado em um Centro Tecnológico Experimental da Agricultura Familiar e Pecuária

A imagem pode conter: céu, árvore, nuvem, casa e atividades ao ar livre
Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente

Há mais de 10 anos que o Matadouro Municipal foi desativado. Desde então boa parte da área utilizada para este fim entrou em desuso. Hoje, as instalações estão destruídas, e abandonadas, numa parte estratégica da cidade: em frente ao Centro de Comercializações de Animais.

Visando fomentar a prática da agricultura familiar, pecuária, e movimentar a economia do município através de ações interligadas,a Secretaria de Desenvolvimento Econômico irá transformar o antigo Matadouro em um CENTRO TECNOLÓGICO EXPERIMENTAL DA AGRICULTURA FAMILIAR E PECUÁRIA DE CAPELA DO ALTO ALEGRE.
O Centro terá espaço para cursos de capacitações para agricultores e alunos da rede municipal, e ainda a utilização da área para experimentos de diversas atividades, entre elas: viveiros de mudas, hortas, 05 plantios de palmas, banco de proteínas com plantas leguminosas, banco de sementes, entre outras atividades voltada para agricultura familiar e pecuária.
Segundo o secretário municipal de desenvolvimento econômico, Erivan Santos, a adequação do espaço será o mais breve possível.
‘’ Queremos já em fevereiro começar a fazer as mudanças aqui no matadouro. Será um espaço para o homem do campo, e também para toda comunidade. Além de incentivar as práticas da agricultura familiar e pecuária, ainda pretendemos fazer eventos interligados com o Centro de Comercialização de Animais, e com as demais secretarias do município, dentre outros grandes planos que vislumbramos’’, finalizou Erivan Santos.




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Município de Serra Preta está virando deserto



A situação do município de Serra Preta, 145 km de Salvador, está cada dia pior. Há mais de um ano sem chuva, a seca transformou boa parte do município em deserto. Serra Preta está situada no semiárido baiano, mas atravessa uma seca terrível, onde muitos classificam como uma das piores estiagens enfrentadas.

O novo prefeito, Aldinho, articula decretar situação de emergência ainda este mês. Já os moradores da zona rural clamam por ações imediatas para amenizar o impacto da seca. A prefeitura iniciou a limpeza de lagoas, mas não há recursos suficientes para enfrentar o problema.

O bombeiro Alex Matos percorreu boa parte do município nesta sexta-feira, 13, e ficou chocado com a aridez encontrado.  Em sua rede social, Matos relatou que “a situação mais critica é no norte do município, deste a Fazenda Macaco (região central), até os povoados de Carocha, Lagoa da Caiçara, Descanso, Morro do Curral, Pistola, Araticum, Pé de Serra, Três Emendas, Peixe e outras localidades”.

O servidor público que é natural de Serra Preta, mas atua como bombeiro em Feira de Santana, alerta para a questão do desmatamento, a falta de grandes açudes e a ausência dos serviços da Empresa Baiana de Águas e Saneamento – EMBASA em muitas localidades de Serra Preta. Mesmo nas áreas urbanas como Bravo, Ponto e Sede o serviço de abastecimento é irregular. 


Redação:  Mario Ângelo Barreto
Fotos: Alex Matos

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A picada da mosca que deixa vítimas em sono profundo

Alterações de personalidade, confusão mental grave e má coordenação também podem acontecer

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Mosca tse-tse, conhecida como mosca do sono (Patrick Robert/Sygma/Getty Images)

Esqueça o que você conhece por picada de mosquito. Enquanto o inseto é capaz de inserir sua micro e fina língua diretamente no sangue da vítima, muitas vezes sem nem ser ao menos notado, existe uma espécie cuja boca possui minúsculas serrilhas capaz de romper a pele para sugar o sangue. Trata-se da mosca tsé-tsé.
Para piorar, várias espécies dessa mosca podem transmitir doenças. Uma das mais perigosas é causada por um parasita: a doença do sono ou tripanossomíase humana africana (THA), para dar o nome oficial. Sem tratamento, ela é normalmente fatal.
Como tantas doenças tropicais, a doença do sono tem sido muitas vezes negligenciada pelos pesquisadores farmacêuticos. No entanto, investigadores têm se esforçado há tempos para compreender como ela engana os mecanismos de defesa do nosso corpo. Algumas de suas descobertas, porém, agora podem ajudar a eliminar a enfermidade completamente.
Há dois parasitas unicelulares que causam o sono mortal: Trypanosoma brucei rhodesiense e T. b. gambiense. Esse último é  predominante e é responsável por até 95% dos casos, principalmente na África Ocidental. Ele leva vários anos para matar uma pessoa, enquanto o T. b. rhodesiense pode causar a morte em poucos meses. Existem ainda outras formas que infectam o gado.
Após a mordida inicial, os sintomas da doença do sono muitas vezes começam com febre, dores de cabeça e dores musculares. À medida que ela avança, os infectados ficam cada vez mais cansados – e é daí que a doença recebe seu nome. Alterações de personalidade, confusão mental grave e má coordenação também podem acontecer.
Embora a medicação ajude, alguns tratamentos são tóxicos e podem ser letais, especialmente se ministrados depois que o mal alcançou o cérebro.
Controle?
É interessante notar que a doença do sono não é tão mortal como antes. No início do século XX, várias centenas de milhares de pessoas eram infectadas por ano. Na década de 60, a doença foi considerada “sob controle” e registrou números muito baixos, tornando sua propagação mais difícil. Mas nos anos 1970 houve outra grande epidemia, que demorou vinte anos para ser controlada.
Desde então, programas melhores de rastreio e intervenções antecipadas têm reduzido o número de casos dramaticamente. Em 2009, foram contados menos de 10 000 deles pela primeira vez desde que os registros começaram, e em 2015 esse número caiu para menos de 3 000, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. A OMS espera que a doença seja completamente eliminada até 2020.
Mas, enquanto o declínio parece positivo, pode haver muitos mais casos não registrados na zona rural da África. Para eliminar o problema completamente, as infecções têm de ser acompanhadas de perto. Uma série de novos estudos tem mostrado que o parasita é mais complicado do que se imaginava.
A doença do sono sempre foi considerada – e diagnosticada – como uma doença de sangue, pois o T. brucei pode ser facilmente detectado no sangue de suas vítimas. Num estudo publicado em setembro de 2016, porém, pesquisadores revelaram ter descoberto que o parasita também pode residir na pele e na gordura.
‘Corrida armamentista’Essa não é a única razão pela qual os parasitas podem iludir nosso sistema imunológico. Em 2014, Etienne Pays, da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, descreveu a história da doença do sono como uma “corrida armamentista” entre os humanos e o parasita.
Nessa batalha, nossa principal arma é uma proteína chamada apolipoproteína L1, que é resistente a uma forma anterior de T. brucei. Essa proteína foi “eficiente em matar o parasita no sangue”, disse Pays. “Pelo que sabemos, ela só estava lá para matá-lo.” Infelizmente, ao longo do tempo, o parasita encontrou uma maneira de burlar a proteção da proteína.
Enquanto a apolipoproteína L1 ainda pode matar a variante que infecta o gado, não é mais eficaz contra as duas estirpes do T. brucei que infectam os seres humanos. Essas duas “conseguiram escapar”, disse Pays. Mas ele e sua equipe conseguiram ajustar a proteína em seu laboratório para torná-la resistente ao T. b. rhodesiense, a forma rara, mas mais letal.
O que eles não perceberam é que há pessoas na África que já têm um sistema de defesa semelhante. Graças a uma mutação na mesma proteína, elas têm imunidade natural contra o T. b. rhodesiense. Pays agora suspeita que algumas pessoas sejam resistentes a todas as formas do parasita.
Essa imunidade natural infelizmente tem um custo. Ninguém ainda sabe por que, mas ela tem sido associada a doenças renais em idade mais avançada.
O desafio é fazer uma variante sem efeitos colaterais. A equipe de Pays produziu outra proteína capaz de matar ambas as formas, mas, quando eles a testaram em camundongos, os animais morreram. O pesquisador ainda está aprimorando a proteína em seu laboratório, na esperança de que ela irá fornecer uma cura eficaz. “Nós criamos outra, que estamos testando atualmente”, disse.
As fasesSe Pays atingir seu objetivo, os médicos simplesmente precisarão injetar a proteína em uma pessoa infectada. Em seguida, ela vai matar o parasita e desaparecer. Isso é promissor, mas há um desafio adicional.
A razão pela qual a doença do sono é tão mortal é que ela pode entrar no cérebro. Instalada lá, causa sintomas mais graves, como confusão, alucinações e má coordenação. Uma vez no cérebro, ela se torna mais difícil de tratar e, portanto, mais fatal. Médicos pensam nisso como um segundo estágio da doença, sendo a primeira quando o parasita infecta o sangue.
Para atingir o cérebro, o parasita deve atravessar a barreira sangue-cérebro, que bloqueia a maior parte das doenças e toxinas. A questão-chave é como ele atravessa – ao que parece, estamos olhando para o lado errado do problema.
Um estudo publicado em outubro de 2016 propõe que a doença do sono tem três fases, e não duas, como se pensava anteriormente. A primeira é a picada da mosca tsé-tsé, após a qual o parasita infecta o sangue da pessoa. Na segunda etapa, que não foi identificada anteriormente, o parasita aparece no líquido cefalorraquidiano e em três membranas que envolvem o cérebro, conhecidas como meninges.
Na terceira fase, as fronteiras de proteção do cérebro quebram e uma “invasão em massa” de tripanossomas atravessa a barreira sangue-cérebro, atacando-o.
Michael Duszenko, da Universidade de Tubingen, na Alemanha, e seus colegas descobriram o segundo estágio em camundongos. Eles também encontraram uma razão para que a terceira fase leve meses e às vezes anos para ocorrer: acontece que o parasita se mantém no segundo estágio, ativamente atrasando o progresso da doença.
Para conseguir isso, ele libera um composto chamado prostaglandina D2, que faz duas coisas. Em primeiro lugar, induz o sono no paciente, tornando-o mais vulnerável à picada de uma mosca tsé-tsé. Em segundo lugar, faz com que algumas das células de parasitas iniciem um processo chamado apoptose, ou “morte celular”. Em outras palavras, o tripanossoma propositadamente destrói algumas das suas próprias células.
Matar suas próprias células pode soar como uma má ideia, mas fazê-lo “reduz a carga do anfitrião e aumenta a probabilidade de parasitas serem transmitidos para a mosca tsé-tsé”, diz Duszenko.
O conceito é manter o hospedeiro vivo, de modo que o parasita tenha mais tempo para infectar outras pessoas. Se a concentração de parasitas subir muito rapidamente, o anfitrião morreria antes de o parasita se espalhar. Essa descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas vivem com níveis crônicos da doença por anos. Livros didáticos devem agora ser reescritos em conformidade com essas pesquisas, diz Duszenko.
Adversário difícilApesar desses avanços, ainda há o problema de que o T. brucei é muito bom em se manter um passo à frente da defesa dos seus anfitriões. O parasita é particularmente hábil em “variação antigênica”: tem mais de 1 000 versões de uma proteína em sua superfície exterior, mas exibe apenas uma versão de cada vez, de modo que o sistema imunológico do hospedeiro só produz anticorpos contra a proteína que está à mostra.
Nesse meio-tempo, alguns dos parasitas mudam para outra versão, que não podem ser atacadas por esses anticorpos. Toda vez que o anfitrião produz anticorpos contra uma nova onda de parasitas, alguns tripanossomas mudam para uma nova camada. “A resposta imune está sempre tentando recuperar o atraso com os parasitas”, diz Martin Taylor, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
Em parte por isso, não houve novas drogas durante décadas. Um dos medicamentos recomendados é a pentamidina, que trata a primeira fase do T. b. gambiense – ela foi desenvolvida em 1940. O melarsoprol, que trata a fase final, foi desenvolvido em 1949 – é tóxico e causa a morte em cerca de 5% dos casos.
Outra questão é que as empresas farmacêuticas não têm investido muito dinheiro em pesquisas sobre a doença do sono: ela é uma das chamadas doenças negligenciadas. “A razão pela qual elas são chamadas de doenças negligenciadas é porque elas foram negligenciadas”, diz Taylor. “Porque são doenças das pessoas mais pobres dos países em desenvolvimento, e, uma vez que leva milhões de dólares para desenvolver uma droga para o mercado, não há o incentivo econômico para criar novos medicamentos.”
Isso parece ter mudado um pouco nos últimos anos. Algumas empresas farmacêuticas até fizeram parcerias com organizações sem fins lucrativos que pressionam por novos remédios. MacLeod diz que há duas novas drogas “em vias de desenvolvimento”, que estão passando por testes. “Recentemente, tem havido um esforço para encontrar drogas para essas doenças negligenciadas”, afirma.
A doença do sono certamente continuará presente nos próximos anos. Mas, ao revelar mais segredos do parasita, um dia poderemos ser capazes de colocá-la para dormir de vez.
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Surto de febre amarela faz Sesab recomendar vacinação em 45 municípios da Bahia

Não havia registro da doença desde 1942. Com um óbito em São Paulo e recentes casos suspeitos em Minas Gerais, Sesab recomenda imunização de 100% da população de 45 cidades

Hilza Cordeiro (hilza.cordeiro@redebahia.com.br)
Atualizado em 14/01/2017 09:14:45
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) emitiu, através da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, uma nota informativa sobre o risco de ocorrência de febre amarela no estado. Após seis casos de epizootia (transmissão agente patogênico entre animais hospedeiros) em macacos no município de Coribe, no Oeste da Bahia, por prevenção, a Sesab recomendou a imunização de 100% da população de 45 cidades baianas.
O cuidado foi redobrado após a confirmação de um óbito em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, e dos recentes casos suspeitos em Minas Gerais. De acordo com Maria Aparecida de Araújo, diretora de Vigilância Epidemiológica da Sesab, o registro de morte dos primatas é um alerta para a possível circulação do vírus causador da doença em áreas silvestres. 
“O estado sempre monitora a ocorrência de epizootias na região Oeste da Bahia. Como o vírus da febre amarela circula no meio silvestre, não podemos controlar. Se um macaco é acometido pelo vírus, ele morre. Quando isso acontece, ficamos em alerta”, explicou a diretora. Ainda segundo ela, o estado também monitora o mosquito vetor da doença, o Haemagogus. 
Maria Aparecida acrescenta que, ao saber do surto, o órgão alertou os profissionais municipais das cidades baianas que fazem fronteira com estados como Minas Gerais e Goiás, para ficarem atentos quanto a pessoas com sinais de febre e icterícia, suspeitando daqueles que vierem de locais onde há casos. 
Municípios
Conforme a nota emitida, a recomendação é de imunização de 100% da população dos municípios de Angical, Baianópolis, Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Brejolândia, Buritirama, Campo Alegre de Lourdes, Canápolis, Carinhanha, Casa Nova, Catolândia, Cocos, Coribe, Correntina, Cotegipe, Cristópolis, Feira da Mata, Formosa do Rio Preto, Ibotirama, Itaguaçu da Bahia, Iuiú, Jaborandi, Luiz Eduardo Magalhães, Malhada, Mansidão, Morpará, Muquém de São Francisco, Paratinga, Pilão Arcado, Remanso, Riachão das Neves, Santa Maria da Vitória, Santa Rita de Cássia, Santana, São Desidério, São Félix do Coribe, Sento Sé, Serra do Ramalho, Serra Dourada, Sítio do Mato, Sobradinho, Tabocas do Brejo Velho, Wanderley, Xique-Xique.
Na nota também consta que todos os municípios da Bahia estão abastecidos com a vacina contra a febre amarela. Nas demais áreas do estado, não há indicação de cobertura completa de vacinação. Nos outros locais, serão priorizadas apenas crianças a partir de nove meses e pessoas que irão viajar para as áreas consideradas de risco. Não é recomendada a imunização de lactantes.
Febre Amarela
Segundo a Sesab, a Febre Amarela Urbana (FAU) não ocorria no país desde 1942. Ela é uma doença de grande gravidade clínica e alto potencial de disseminação. Os principais vetores dela são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, de hábitos silvestres. O ser humano pode contrair a febre após ser picado por um desses vetores infectados. As pessoas infectadas podem servir de reservatório e passar o vírus para o mosquito Aedes Aegypti, considerado o principal vetor nas áreas urbanas.
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Plano Diretor da RMS será questionado

Sáb, 14/01/2017 às 13:15 | Atualizado em: 14/01/2017 às 13:16
O edital para contratação de empresa para elaborar  o  Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da Região Metropolitana de Salvador (RMS), lançado dia 06/12 pelo Estado, está na mira de Salvador e Camaçari. Há possibilidade de Salvador integrar o coletivo para marcar posição.
Camaçari, comandada agora por Elinaldo (DEM), aliado de Neto, vai pedir a suspensão do edital por entender que o documento não contempla os principais vetores do município: indústria e turismo. 
E o secretário de Urbanismo e Desenvolvimento de Salvador, Guilherme Bellintani, disse para a Tempo Presente que pediu estudo técnico do edital. Em 10 dias terá o retorno. Nenhum novo plano poderá se sobrepor ao que já foi aprovado no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU), diz ele. 
Se for necessário, completa Bellintani, Salvador vai aderir à Entidade.
 Maioria – O cenário político dos gestores da RMS mudou após as eleições. Hoje, dos 13 municípios, sete estão nas mãos dos aliados de Neto e seis com governistas. 
Neto não reconheceu a Entidade Metropolitana, criada em 2014 pelo ex-governador Jaques Wagner, por entender que o estado ultrapassaria a autonomia do município. O DEM chegou até a entrar com a Adin no STF. Agora, pode ser diferente.
 Projetos – A Entidade é uma autarquia de caráter deliberativo. Em tese, deve planejar ações de interesse comum aos 13 municípios da RMS. Mas no meio há projetos como o VLT e a Ponte Salvador-Itaparica, por exemplo.
– A nossa posição é de enfrentamento do Plano Diretor Metropolitano que venha a ferir a autonomia da cidade, que acaba de aprovar seu PPDU. 
"s trocadas com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha
Sem exigência
 Já o secretário de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, Sergio Vilalva, critica:
– Os principais vetores de desenvolvimento de Camaçari, a indústria, por conta do Polo, e o turismo, não estão tratados com a devida importância no Plano. No edital, não há exigência de experiência da empresa ou técnicos referente aos planejamentos. 


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A noite em que uma bomba atômica podia ter varrido o Arkansas do mapa

Documentário denuncia falta de segurança do arsenal nuclear dos EUA

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VIDHA LINUS

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