Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Água


Em janeiro de 1997, entrou em vigor a Lei nº 9.433/1997, também conhecida como Lei das Águas. O instrumento legal instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Segundo a Lei das Águas, a Política Nacional de Recursos Hídricos tem seis fundamentos. A água é considerada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico. 

A Lei prevê que a gestão dos recursos hídricos deve proporcionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada e participativa, contando com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. Também determina que, em situações de escassez, o uso prioritário da água é para o consumo humano e para a dessedentação de animais. Outro fundamento é o de que a bacia hidrográfica é a unidade de atuação do Singreh e de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos.

O segundo artigo da Lei explicita os objetivos da PNRH: assegurar a disponibilidade de água de qualidade às gerações presentes e futuras, promover uma utilização racional e integrada dos recursos hídricos e a prevenção e defesa contra eventos hidrológicos (chuvas, secas e enchentes), sejam eles naturais sejam decorrentes do mau uso dos recursos naturais.

O território brasileiro contém cerca de 12% de toda a água doce do planeta. Ao todo, são 200 mil microbacias espalhadas em 12 regiões hidrográficas, como as bacias do São Francisco, do Paraná e a Amazônica (a mais extensa do mundo e 60% dela localizada no Brasil). É um enorme potencial hídrico, capaz de prover um volume de água por pessoa 19 vezes superior ao mínimo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) – de 1.700 m³/s por habitante por ano.

Apesar da abundância, os recursos hídricos brasileiros não são inesgotáveis. O acesso à água não é igual para todos. As características geográficas de cada região e as mudanças de vazão dos rios, que ocorrem devido às variações climáticas ao longo do ano, afetam a distribuição.
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Prévia indica deflação de 0,18%, a menor taxa em quase 20 anos


A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fechou com variação negativa de 0,18% em julho, resultado que chega a ser 0,34 ponto percentual inferior ao resultado de junho, quando a variação foi de 0,16%.

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Pesquisa do IBGE constatou queda de preços em vários setores da economia contribuindo para a redução do índice de inflaçãoTânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou hoje (20), no Rio de Janeiro, os dados da prévia, essa é a menor variação relativa a julho, juntamente com o resultado de 2003, cuja variação também havia sido de -0,18%.

Essa é a menor taxa de inflação desde setembro de 1998, quando a deflação dos preços havia sido de -0,44%. Com a inflação negativa de julho, o IPCA-15 passou a acumular alta de 1,44% nos primeiros sete meses do ano, resultado 3,75 pontos percentuais menor do que os 5,19% referentes ao mesmo período do ano passado.

Já a inflação acumulada nos últimos doze meses fechou em 2,78%, resultado inferior aos 3,52% dos 12 meses imediatamente anteriores, o que constitui a menor variação acumulada em períodos de 12 meses desde março de 1999, quando atingiu 2,64%. Segundo o IBGE, em julho do ano passado a taxa havia variado 0,54%.

Por: Agência Brasil-Nielmar de Oliveira – Repórter
Edição: Kleber Sampaio
Publicado em: 20 de Julho de 2017 09:49
http://portaldoamazonas.com/previa-indica-deflacao-de-018-a-menor-taxa-em-quase-20-anos
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Portal reunirá dados sobre mudança do clima

Terça, 18 Julho 2017 18:00

Ministério recebe contribuições na construção do portal EducaClima. ONU lança concurso de vídeos para jovens interessados na agenda climática.  



DA REDAÇÃO
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) convida a sociedade a colaborar na construção de portal sobre educação e conscientização pública na área de mudança do clima. Até o fim deste ano, o MMA lançará o portal EducaClima, com o objetivo de oferecer informações recebidas de qualquer ente do governo ou instituição da sociedade civil que tenha envolvimento com o assunto. A página deverá ser disponibilizada antes da Conferência sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas, marcada para ocorrer em novembro em Bonn, na Alemanha. 
O desenvolvimento do portal atende às diretrizes da promoção da Política Nacional sobre Mudança do Climaem relação à disseminação de informações, educação, capacitação e conscientização pública do tema. Essas obrigações também estão presentes nos textos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) e do Acordo de Paris, dos quais o Brasil é parte.
Para desenvolver o portal, o MMA recebe sugestões de diversos conteúdos sobre mudança do clima: ações de educação e conscientização pública; legislação; publicações e sites; cursos e eventos; infográficos; instituições existentes; e foros de discussão.
CONCURSO
Dois jovens de qualquer nacionalidade serão escolhidos para participar da próxima Conferência sobre Mudança do Clima da ONU, a COP 23, que ocorrerá em novembro. A seleção ocorrerá por meio do concurso de vídeos promovido pela UNFCCC em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a TVE da Espanha. Os dois escolhidos se juntarão à UNFCCC como jovens repórteres, compilando e produzindo vídeos, artigos e postagens de mídia social.
Para participar, os interessados precisam ter entre 18 e 30 anos de idade e os vídeos, de até três minutos, podem ser enviados até 18 de agosto. Os temas deste ano são “cidades amigáveis e resilientes à mudança do clima” e “oceanos e mudanças climáticas”.
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Lições básicas para que as empresas não caiam em fraudes


 REUTERS

Desde que a Lei Anticorrupção (12.846/13) foi regulamentada no ano passado, há uma corrida de empresas em busca de implementar processos administrativos que ajudem a evitar desvios de conduta empresarial. Casos de fraude, assédios, violações de direitos humanos ou danos ambientais também estão na mira de companhias, que apostam em um conjunto de medidas e ferramentas (chamadas de compliance) para fazer com que seus negócios cumpram as leis. O EL PAÍS conversou com analistas e empresas para saber quais estratégias têm ganhado destaque na preferência das companhias.


1. Criação e implementação de um código de ética

Parece óbvio que uma empresa deveria ter um código de ética com normas sobre condutas para reger o comportamento dos funcionários e colaboradores, mas isto está longe der ser uma realidade no Brasil. O bom senso (e às vezes, a falta dele) ainda é a ferramenta mais utilizada pelas empresas para fazer com que seus colaboradores cumpram as normas e leis vigentes. “O problema é que o bom senso é muito democrático, porque cada um tem seu valor”, afirma Renato Santos, sócio da S2 Consultoria. O empresário entrevistou fraudadores confessos em diversas empresas e descobriu que as causas dos desvios de conduta são muito mais simples do que se imagina. “Há aqueles que racionalizam a fraude. São pessoas que justificam para elas mesmas que não é errado fazer, porque todos fazem”, conta.
Por isso a necessidade de normas claras e transparentes sobre o que as pessoas podem ou não fazer na operação de um negócio. Após escândalos de corrupção, grandes empresas têm modificado seus processos para melhorar a gestão ética de seu negócio.

2. Investir em profissionais capazes de suportar as pressões éticas do dia a dia

“Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. Essa expressão, frequentemente atribuída a Getúlio Vargas dá o tom de como costumavam ser feitos as negociações no Brasil. Costumavam, porque a tendência é que a lei passe a valer para todos. Mas a pressão sobre empresas e colaboradores ainda não passou. Muitas pessoas trabalham no limite da ética, uma zona cinza onde negócios são feitos na base da pressão. “Não é incomum encontrarmos companhias que colocam o funcionário no dilema entre ser ético ou cumprir a meta, por exemplo”, conta Santos. E em meio a este impasse, a ética nem sempre sai ganhando. “Muitas empresas têm investido em realizar testes de potencial de integridade resiliente para identificar como um indivíduo ou um grupo reagem as pressões éticas e corrigir eventuais problemas”, afirma Santos. A busca por profissionais especializados em compliance é uma saída para tentar corrigir na origem os desvios de conduta.

3. Mapear como os colaboradores praticam cultura empresarial

Dizem que a oportunidade faz o ladrão? Mas isso não é necessariamente verdade. Sempre existe uma escolha a ser feita. Afinal, ninguém vai roubar um celular só porque ele foi deixado em cima de uma mesa. “Mas sem oportunidade, o ladrão não se faz”, lembra Santos. As empresas costumam investir em auditoria para tentar encontrar as “oportunidades” que levam ao desvio de condutas em seus negócios. Infelizmente, eles não são tão claros como se gostaria. Ao entrevistar fraudadores, Santos descobriu que mais do que determinar regras, averiguar como elas são interpretadas e cumpridas no dia a dia também é importante.
É comum que empresas determinem, por exemplo, valores máximos em brindes que seus funcionários podem receber por mês. Mas só colocar no papel não dá certo. Santos conta que em uma reunião com funcionários de um cliente, uma pessoa admitiu que costumava receber viagens como brinde de fornecedores, e que isto não era errado. “Ele contou que o fornecedor parcelava a compra da viagem, e as parcelas ficavam dentro do valor determinado pela empresa, de um salário mínimo”, diz. Por isso, entender como as pessoas praticam a cultura da empresa é um passo fundamental para impedir problemas.

4. Abrir canais para ouvir colaboradores, fornecedores e clientes

Muitos problemas que acontecem na empresa estão fora do alcance de auditorias regulares. Mas funcionários, fornecedores e até mesmo clientes podem saber o que está acontecendo. “É um engano pensar que apenas áreas como compras, marketing e financeiro estão mais propensos a participar de fraudes”, afirma Santos. “Uma pessoa da área de manutenção pode, por exemplo, colocar especificações técnicas em um pedido que só um fornecedor é capaz de atender”, afirma. Para combater essas práticas, é importante ouvir os próprios funcionários. A abertura de canais de ouvidoria anônimos (os chamados canais de denúncia) pode ajudar colaboradores e fornecedores a informar diretamente ao conselho de administração da companhia sobre desvios de condutas. Mesmo assim, não é fácil fazer com que as pessoas denunciem.
Dados do Relatório Global de Fraude & Risco 2016/17, da Kroll Consultoria, mostram que 44% das fraudes identificadas globalmente pelo estudo foram reveladas pelos chamados whisteblowers (denunciantes) como Edward Snowden, o analista de informática norteamericano. No Brasil, no entanto, os denunciantes respondem por apenas 17% das descobertas. Medo, desconfiança e sensação de impunidade fazem com que muitas pessoas não queiram participar. Para desmistificar a visão policialesca do canal denúncia e aumentar a participação, a mineradora Vale, por exemplo, teve que mudar o nome para Canal de Ouvidoria. “Denúncia parece coisa de dedo duro e o objetivo não é esse. Queremos promover um comportamento ético na companhia”, afirmou Alexandre de Aquino Pereira, ouvidor geral da companhia, em entrevista para o El PAÍS, em abril.
A Petrobras é outra companhia que também lançou um novo canal de denúncias independente, estruturado para funcionar 24 horas, com atendimento em português, inglês e espanhol. “A recepção das denúncias estará a cargo de uma empresa independente especializada”, informa a companhia em seu site. O novo canal faz parte do conjunto de medidas da companhia para aprimorar e fortalecer a governança.

5. Sempre punir os responsáveis

Nas Olímpiadas do Rio, um caso ganhou destaque. O nadador norte-americano Ryan Lotche, juntamente a um grupo de amigos, mentiu sobre ter sido assaltado na cidade, causando um constrangimento diplomático entre os países. Assim como o nadador foi punido nos EUA, com a lei Anticorrupção, e os vários escândalos envolvendo grandes empresas, a sensação de que tudo acaba em pizza está diminuindo. “O problema é que no Brasil as pessoas sempre tiveram a sensação de que tudo é permitido. E no mundo empresarial não era diferente. Mas as coisas estão mudando”, afirma Santos. Por isso é importante que as empresas façam sua parte. “Demitir o funcionário envolvido em fraude por medo de ser processado depois, passa a mensagem de que os que fazem as coisas erradas não têm punição”, diz Santos.
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Novo vírus transmitido pelo borrachudo preocupa especialistas

Especialistas temem que a febre oropouche, transmitida pelo borrachudo e que pode causar febre alta, meningite e meningocefalite, chegue às grandes cidades

alta, meningite e meningocefalite, chegue às grandes cidades

Borrachudo sugando sangue de um humano
Em breve, um novo vírus, que causa febre aguda e, em alguns casos, meningite e meningocefalitetransmitido pelo mosquito borrachudo, pode chegar às grandes cidades brasileiras. Segundo informações da Agência Fapesp, o alerta foi feito durante palestra sobre vírus emergentes na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sábado na Universidade Federal de Minas Gerais.

Risco

“O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil”, disse Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), durante o evento.
“O Culicoides paraensis [borrachudo] está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil”, apontou.
arbovírus oropouche – vírus transmitido por um mosquito, como o zika e a febre amarela –, mais comum nas Américas do Sul (principalmente na Amazônia) e Central e no Caribe, se adaptou ao meio urbano e tem estado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras.

Aumento de casos

Além do Brasil, casos de febre oropouche, como a doença é chamada, foram relatados no Peru e em países do Caribe. Aqui, o vírus foi isolado em aves no Rio Grande do Sul e em macacos em Minas Gerais, onde foi detectada a presença de anticorpos neutralizantes – que ativa o sistema imunológico para combatê-lo – em um deles, e em Goiás.
Em seres humanos, em 2002, pesquisadores do Departamento de Biologia Celular, da Faculdade de Medicina de  Preto da USP, diagnosticaram 128 casos de pessoas infectadas em Manaus.

Sintomas semelhantes à dengue

Os pacientes apresentavam os sintomas típicos da infecção, como febre aguda, dores articulares, de cabeça e atrás dos olhos. Três deles desenvolveram infecção no sistema nervoso central.
A princípio, todos os pacientes identificados com a doença receberam o diagnóstico de dengue, uma vez que os sintomas são parecidos. Por esse motivo, os pesquisadores têm alertado sobre a incidência da febre oropouche em casos de suspeita de dengue.

Imunodepressão

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a associação do vírus em pessoas imunodeprimidas. Um paciente, por exemplo, tinha neurocisticercose – infecção do sistema nervoso central pela larva da tênia (Taenia solium) – e outro, aids.
“Isso mostra que algumas doenças de base ou imunodepressão podem facilitar que o vírus chegue ao sistema nervoso central”. É algo que quase ninguém pensa ao tratar de uma arborvirose e é preciso considerar essa possibilidade.”, explicou Figueiredo.
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Humanidade já gerou 8,3 bilhões de toneladas de plástico

Quase 80% desses materiais acabaram nos aterros sanitários ou no meio ambiente

Em muitas regiões do planeta a reciclagem de plásticos ainda é manual, garrafa a garrafa, tampinha a tampinha
Em muitas regiões do planeta a reciclagem de plásticos ainda é manual, garrafa a garrafa, tampinha a tampinha  UNIVERSIDAD DE GEORGIA
Desde que começou a produção em massa de plásticos, nos anos cinquenta, os humanos geraram 8,3 bilhões de toneladas métricas do material. Dessa quantidade enorme, apenas 9% são reciclados. A grande maioria acaba sem tratamento nos aterros sanitários ou no meio ambiente.Segundo um novo estudo sobre a produção desse material sintético, seu uso e destino final, se continuarmos nesse ritmo, em 2050 haverá mais de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos.
Apesar de alguns plásticos já existirem no início do século XX, a produção em massa não começou até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando deixou de ser algo quase reservado para os militares. Fruto de reações químicas (polimerização) de compostos orgânicos obtidos em sua maioria do petróleo, o plástico é uma das grandes criações da humanidade. Depois do aço e do cimento, é o produto de origem não natural mais presente na civilização. Mas suas virtudes o transformam em problema quando seu ciclo de vida útil termina.
“A maioria dos plásticos não é biodegradável, portanto os resíduos plásticos que estamos gerando nos acompanharão por séculos e até milênios”, diz a pesquisadora da Universidade da Geórgia, Jenna Jambeck. Em 2015, Jambeck e um grupo de colegas estimava que todo ano chegavam aos mares do planeta cerca de oito toneladas de plásticos. Agora, com colegas da Universidade da Califórnia em Santa Barbara e a Associação para a Educação Marina (SEA), Jambeck foi além, calculando quanto plástico geraram os humanos em sua curta história e onde tudo isso foi parar.
Apenas 9% do plástico é reciclado. O restante é queimado ou, em sua maioria, acaba no aterro sanitário
A pesquisa, publicada na revista Science Advances, começa no ano 1950, quando o número de dois milhões de toneladas de plástico produzidas foi ultrapassado. Em 2015, últimos dados disponíveis, essa quantidade aumentou para 380 milhões de toneladas. Acumulados todos esses anos, os humanos criaram 8,3 bilhões de toneladas. A maior parte são resinas à base de monômeros como o etileno e o propileno. Cerca de 2 bilhões de toneladas são fibras, destacando o poliéster, o acrílico e as poliamidas sintéticas. Os 500 milhões restantes são aditivos para dar as características desejadas a cada produto feito de plástico.
Apesar de parecer que a consciência ambiental e o surgimento de novos materiais estavam deixando o plástico para trás, os dados dizem exatamente o contrário: a metade dos plásticos produzidos desde 1950 foram fabricados na última década. Outro dado revelado pelo estudo é a nova geopolítica do plástico. No início, tanto sua produção como seu uso eram algo quase exclusivo dos Estados Unidos, aos quais aos poucos se uniriam os países europeus. Hoje, no entanto, apesar de os dois continuarem sendo os principais consumidores de plástico, o maior produtor é a China. As fábricas chinesas produzem um terço de todas as resinas e quase 70% das fibras.
O estudo também analisa onde tanto plástico foi parar. Todo ano entram novos plásticos no circuito e os velhos saem. Isso faz com que haja em uso cerca de 2,5 bilhões de toneladas, a maioria na construção, onde são usados materiais plásticos de longa vida. O restante – bolsas, roupas, embalagens – em sua maioria acaba no lixo e, em médio e longo prazo, nas terras e mares do planeta.
Nos anos oitenta começou-se a reciclar o plástico. Mas não parece ter funcionado. Apenas 9% dos resíduos plásticos são reciclados. Além disso, os plásticos reciclados, que não têm a qualidade dos originais, poucas vezes são reciclados pela terceira ou quarta vez. Então a reciclagem só atrasa sua chegada ao lixão. Outros 12% de lixo plástico são eliminados pela incineração. Apesar de a quantidade de plásticos decompostos por pirólise (mais eficiente e ecológica) estar aumentando, a grande maioria desses plásticos são queimados sem mais. Por região geográfica, europeus (30%) e chineses (25%) são os que mais reciclam e também os que mais queimam, 40% e 30%, respectivamente. No outro extremo estão os Estados Unidos. Com um índice de incineração de 16%, reciclam apenas 9% do plástico que usam. Os outros 75% são jogados fora e pronto.

“Há regiões em que o plástico é indispensável, especialmente nos produtos feitos para durar”, comenta a pesquisadora do SEA e coautora do estudo, Kara Lavender. “Mas acho que precisamos refletir sobre nosso uso amplo dos plásticos e nos perguntar quando usar esses materiais faz ou não sentido”, acrescenta. Sem essa reflexão, a projeção feita pelos pesquisadores é a de que, em 2050, os humanos terão produzido mais de 34.000 toneladas de plástico e pelo menos um terço acabará no lixão ou pior ainda.
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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Estudo relaciona incidência de tuberculose com superlotação em domicílios no Brasil

 doença conhecida por ter provocado a morte prematura de poetas e boêmios nos séculos 19 e 20 pode não estar mais presente no cotidiano da classe média brasileira, mas ainda faz muitas vítimas nos grupos sociais menos favorecidos. Um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP avaliou o impacto de diversos fatores socioeconômicos no risco de tuberculose e concluiu que a aglomeração dentro das casas é um dos principais mecanismos que podem explicar a associação entre tuberculose e pobreza.

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 (Foto: Felipe Dana/AP)

O estudo, publicado em abril na revista científica “PLOS ONE”, levou em conta os dados de diagnósticos de tuberculose de 5.565 municípios brasileiros em 2010 e os avaliou em conjunto com os dados socioeconômicos desses municípios obtidos no Censo 2010.

É fácil entender esse mecanismo: “As pessoas que estão contaminadas e tossem, espirram ou falam expelem a bactéria no ar e, quanto mais pessoas ao redor, maior o risco de infecção e de desenvolver a doença”, diz a pesquisadora Daniele Maria Pelissari, uma das autoras do estudo.

Estudos anteriores já encontraram uma associação entre a pobreza e a desigualdade social com a tuberculose. “A pobreza determina que as pessoas vivam em ambientes aglomerados, o que aumenta o contato e o risco de tuberculose”, explica a pesquisadora.

 Imagem de microscopia eletrônica mostra a bactéria 'Mycobacterium tuberculosis', o bacilo de Koch, que provoca a tuberculose (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))
 (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))

Alvo de intervenção

Para o médico Fredi Alexander Diaz Quijano, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, esse achado revela um alvo de intervenção importante capaz de reduzir o efeito da pobreza sobre o risco de tuberculose. “A situação não teria de ser necessariamente resolvida com recursos econômicos, mas corrigindo o modo de vida, a organização intradomicilitar e a estrutura.”

Quijano explica que a associação com a tuberculose começa a aparecer quando existem, em média, duas pessoas ou mais dormindo por cômodo da casa. Iniciativas de estímulo a planejamento de moradias mais adequadas e organizadas de modo a inibir a transmissão da doença podem ter um impacto importante na saúde pública.

Segundo a OMS, o Brasil está em 20º lugar no ranking dos países com maior número de casos de tuberculose no mundo. Em 2015, foram registrados quase 67,8 mil novos casos no Brasil e 4,6 mil mortes pela doença.

No fim de junho, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose que leva em conta a questão dos indicadores socioeconômicos das cidades como norteadores de políticas públicas contra a doença.

Ações individuais

Além das políticas públicas, ações individuais também podem reduzir o risco de propagação da tuberculose. “A primeira coisa é não negligenciar o sintoma da tosse. Quando a tosse persiste por três semanas ou mais, é preciso buscar uma unidade de saúde”, diz Daniele.

Uma vez diagnosticado, é importante fazer o tratamento até o final. “O tratamento é longo, demora no mínimo seis meses em casos de tuberculose sensível. Muitos começam a apresentar melhora e abandonam o tratamento, aí desenvolvem formas resistentes da doença.” Segundo a especialista, um tratamento adequado reduz o risco de transmissão da doença a partir de 20 dias.

BLOG DOUTORA ANA RESPONDE: Tuberculose é emergência global

Entenda a tuberculose

A tuberculose é uma doença provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa para outra pelo ar por meio de partículas eliminadas na respiração, espirro e tosse. A doença aparece quando o bacilo chega aos pulmões e provoca uma inflamação nos tecidos à sua volta. Em resposta, o pulmão produz muco, o que leva à tosse.

Os sintomas iniciais são febre baixa, cansaço, mal estar, fraqueza, tosse, dor no corpo, suor noturno e falta de apetite. Ao longo do tempo, o mal estar se acentua, o paciente emagrece e a tosse persiste, podendo ocorrer com sangue. A doença também pode atingir outros órgãos. O diagnóstico é feito com raio-X e exames de escarro.

O tratamento, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), deve ser feito sem interrupção por no mínimo seis meses. A vacina BCG, indicada para bebês e crianças de até 5 anos de idade, previne contra as formas de tuberculose mais graves.


Fonte: g1.globo.com
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VIDHA LINUS

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