Meio Ambiente & Desenvolvimento Humano

domingo, 19 de março de 2017

O que é pesquisar poesia? Saiba como trabalham os cientistas da área de Letras

Minas Noticias
 
 
 O campo dos estudos literários adota uma metodologia de pesquisa bibliográfica

Mergulhar no mundo da poesia é uma tarefa prazerosa assumida por muitos pesquisadores da área de Letras. São estudiosos que se envolvem com textos e autores em busca da beleza abstrata que existe nas obras literárias. Algumas pesquisas são voltadas para análises das entranhas dos poemas, os aspectos formais, rítmicos e possibilidades de significação. Outras investigações se interessam pelos processos de edição e há trabalhos nos quais o texto serve como pretexto para debates culturais e sociais. Esta semana é comemorado o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao baiano Castro Alves, por isso conversamos com cientistas das letras para compreender o trabalho.
O pesquisador Rafael Fava Belúzio acredita que estudando a tradição literária escreve melhor os próprios textos. Da iniciação científica ao mestrado, pesquisou a Lira dos vinte anos (publicado na década de 50 do século 19), a principal obra de poemas de Álvares de Azevedo. O resultado das pesquisas está no livro lançado por Belúzio, Uma lira de duas cordas. Para o doutorado, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele prepara a tese sobre a poesia de Paulo Leminski.
“Estudar poesia me motiva a estudar poesia. É um fim em si mesmo. O amor pela coisa em si. Essa é a causa mais importante para mim, mas existem outras também. Como pagar as contas. Embora haja pouco reconhecimento econômico, estudar poesia é uma maneira de ganhar dinheiro. Um modo complicado de o fazer, por sinal”, explica.
A professora do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-MG), Andrea Soares Santos, dedicou os anos de estudo do mestrado e doutorado à obra do poeta Haroldo de Campos. Para ela, o gênero poesia passa uma impressão de ser mais difícil ou menos acessível, o que torna a tarefa da pesquisa desafiadora. “A arte da escrita é muito identificada como poesia, historicamente, e isso dá status ao pesquisador. Pessoalmente, estudo pelo gosto, por adorar alguns poetas”, conta.
De modo geral, o campo dos estudos literários adota uma metodologia de pesquisa bibliográfica. O cientista levanta um corpus de textos de interesse e trabalha criando seu próprio senso interpretativo da obra. Eventualmente a pesquisa pode envolver um trabalho de campo, além de entrevista ou coleta de dados com os poetas. Belúzio, por exemplo, durante o mestrado, leu os poemas de Álvares de Azevedo, os textos críticos sobre a obra e teorias sobre poesia para desenvolver uma hipótese inovadora de interpretação. Para a professora Andrea Santos, o pesquisador de poesia também precisa gostar de estudar linguagem. “A prosa atrai pelo conteúdo e pelo contexto. A poesia é absoluta, por isso o problema da linguagem fica mais imperativo. Isso acaba determinando a metodologia de pesquisa”, explica.

Quem é este cientista das letras?

De acordo com Belúzio, o pesquisador de poesia é aquele que pensa o belo construído em textos literários, mas também reflete problemas de ordens políticas, éticas, religiosas, linguísticas e históricas. “Pesquisar poesia é abrir novos caminhos de leitura e interpretação. Uma forma de conhecer os versos, mas não apenas eles. Aprender sobre o homem e o mundo”, conclui.
A professora Andrea Santos também enxerga a leitura da poesia como uma forma de enriquecer nossa leitura sobre a vida. Ela é engenheira de formação e teve experiências na área das ciências exatas, por isso explica algumas diferenças:
“A sociedade tem uma concepção de ciência muito voltada a questões pragmáticas. Como eu fui da engenharia, eu sei o que é fazer uma pesquisa de ordem pragmática, mas isso não excluir o estudo bibliográfico, a escrita e o pensamento. Às vezes a pesquisa na área de Letras soa como gratuita, sem fins práticos, mas acho que a reflexão sobre os fenômenos da cultura é essencial para as pessoas entenderem o mundo que vivem”.
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O meio ambiente e o clima, prejudicados pelo primeiro corte de gastos de Trump

postado em 16/03/2017 19:25

A luta pelas medidas a favor do meio ambiente e contra o aquecimento global será prejudicada após a aprovação do primeiro projeto de orçamento do presidente americano, Donald Trump, que corta em quase um terço os fundos para a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

No documento, apresentado nesta quinta-feira (16) ao Congresso, a Casa Branca busca reduzir o orçamento da EPA em 2,6 bilhões de dólares, dos 8,3 bilhões atuais. O projeto ainda deve ser aprovado por parlamentares antes de entrar em vigor.

Com a aprovação do projeto, aproximadamente 3.200 postos de trabalho da agência seriam eliminados.

Esses cortes deixariam a agência com o orçamento mais baixo desde 1977, eliminando os fundos para as pesquisas sobre as mudanças climáticas, os programas de proteção ambiental dos estados, e projetos como a tentativa de recuperação dos Grandes Lagos e da baía de Chesapeake.

Assim, a execução do "Clean Power Plan" (Plano de energia limpa), decretado pelo ex-presidente Barack Obama para reduzir as emissões de gases de efeito estufa das usinas elétricas a carvão, desaparecerá juntamente com o seu orçamento de 100 milhões de dólares.

Trump também pretende eliminar as contribuições americanas a programas da ONU contra as mudanças climáticas, e pode também suprimir quatro programas da Nasa dedicados à ciência do clima, entre eles o do satélite Observatory-3, que tinha como objetivo controlar as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

- Motor de pesquisa -

O governo Trump também pretende eliminar um programa de 250 milhões de dólares dedicado à proteção de ecossistemas costeiros coordenado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Os cortes propostos para a EPA no projeto são consideravelmente maiores que os defendidos por membros republicanos no Congresso, ainda que muitos deles não concordem com as regulações da agência, por as considerarem obstáculos para a atividade econômica.

Para 2017, a comissão do Congresso responsável por definir o orçamento propôs destinar 8 bilhões de dólares para a EPA, reduzindo apenas 291 milhões de dólares do valor sugerido pelo ex-presidente Barack Obama.

A Casa Branca pretende reduzir, ainda, em 18% os investimentos reservados ao Instituto Nacional da Saúde (NIH), principal motor da pesquisa médica nos Estados Unidos.
-
 "Corrupção e cinismo" -

"Os Estados Unidos tem a responsabilidade moral de proteger as maiores vítimas das mudanças climáticas, e esse projeto de orçamento ignora isso", declarou Tina Johnson, diretora da ONG US Climate Action Network.

"Sabemos que o custo destinado à luta contra o aquecimento é apenas uma ínfima parte do orçamento federal americano, representando 0,04% dele entre os anos de 2010 a 2015", afirmou.
Para o Greenpeace, "o governo Trump considera claramente os grupos industriais como seu verdadeiro eleitorado, não o povo americano".

"Esse plano de gastos revela a corrupção, o cinismo e a falta de visão da Casa Branca", acrescentou o porta-voz da organização, Travis Nichols.

Disponível: http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/03/16/interna_internacional,854944/o-meio-ambiente-e-o-clima-prejudicados-pelo-primeiro-corte-de-gastos.shtml
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sábado, 18 de março de 2017

Empresa quer criar drone comestível para combater a fome

 O protótipo é de uma fabricante britânica. A versão projetada com comida inclui trem de pouso feito de salame

Ana Carolina Leonardi, da Superinteressante

 Drone: o protótipo ganhou o nome de Pouncer e suas especificações técnicas já foram patenteadas – com exceção da parte de materiais alimentícios para construção (Divulgação/Divulgação)

O uso de drones para atingir áreas de difícil acesso e levar suprimentos é uma ideia antiga e já foi testada na prática: drones já levaram medicamentos a áreas remotas e até sangue para transfusão.
Mas a empresa britânica Windhorse Aerospace quer incrementar o papel do drone nessa empreitada: ele levaria comida até áreas de risco e, além de servir como meio de transporte, seria comestível também.

O protótipo ganhou o nome de Pouncer e suas especificações técnicas já foram patenteadas – com exceção da parte de materiais alimentícios para construção.

Por enquanto, o Pouncer seria um drone com aterrissagem precisa, criado especialmente para carregar até 50 kg de comida e água a cenários de guerra ou acidentes.

A ideia é que seu custo de fabricação ficasse por volta das £100 (cerca de R$ 383). O preço total do vôo e dos mantimentos somaria no máximo £250 (em reais).

Ele precisa ser barato, porque a ideia é que seja de uso único, sem precisar ser recuperado para novos vôos.
Só este projeto já seria uma novidade para a ajuda humanitária, para a qual os drones servem, no máximo, para a entrega de medicamentos.

Mas o fundador da Windhorse Aerospace quer ir mais longe – já que o drone não vai voltar mesmo, melhor torná-lo comestível e aumentar a quantidade de comida transportada sem alterar a carga máxima.

Nigel Gifford, que está por trás da empreitada, projetava aeronaves para o exército, mas ficou famoso por suas iniciativas malucos.

Vendeu um drone para o Facebook, chamado Ascenta (e depois Aquila) que serviria como um modem de internet, em pleno vôo, para as áreas onde a conexão ainda não chegou.

Antes disso, ele foi do time de logística de Richard Branson, magnata que tentou dar a volta ao mundo em um balão de ar. O drone deu certo – a aventura não.

Seu próximo desafio é encontrar os melhores materiais para a produção do drone comestível.
Em uma entrevista ao Financial Times, ele mencionou alguns candidatos bizarros: favos de mel ou vegetais comprimidos para a estrutura e salame para o trem de pouso. Para Gifford, a carne processada tem a “força e a flexibilidade ideal” para a tarefa.

A proposta não convenceu as agências de ajuda humanitária. Primeiro, porque não acreditam que drones vão funcionar para distribuição ampla de comida.

A segunda crítica é que as comunidades em risco estariam sendo usadas como plataforma de testes para uma nova tecnologia de drones, mesmo que comestível.

Ainda que a ideia de comer o pacote de entrega faça sentido inicialmente, as primeiras entrevistas sobre o Pouncer falavam de um drone de baixo custo que poderia ser desmontado e as peças retiradas para serem usadas como material para construir abrigos ou mesmo queimadas com segurança e alimentar pequenas fogueiras, auxiliando no preparo de alimentos.

Um drone de cenoura compactada e salame é incrível – mas uma proposta mais pé no chão seria bem mais útil.

Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Superinteressante.

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Trump liga para Temer interessado em reformas no Brasil

Trump aproveitou ainda para reforçar "interesse" em receber uma visita do presidente Michel Temer aos EUA


Donald Trump liga para Michel Temer
 Trump: Presidente dos EUA demonstra interesse em receber visita de Michel Temer (Jim Bourg/Reuters)

Brasília — O presidente Michel Temer conversou na tarde deste sábado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que já estava agendada anteriormente, durou cerca de 20 minutos e teve início por volta das 18h15.

Esta é a segunda conversa telefônica entre os dois Chefes de Estado e, segundo informou o Planalto, por meio de nota oficial, eles acertaram “manter contato regular e deixaram abertos os canais diretos de diálogo, tendo estabelecido que voltariam a falar-se a qualquer momento em que se apresente questão de interesse mútuo”.

O presidente Trump aproveitou ainda para reforçar “interesse” em receber uma visita do presidente Michel Temer aos Estados Unidos.

O Palácio do Planalto não confirma, mas era intenção do presidente Temer, na conversa com Trump, tranquilizar o presidente norte-americano em relação à eficiência e rigor no trabalho realizado pelo serviço de inspeção do Ministério da Agricultura, na fiscalização dos produtos exportados.

Para demonstrar a intenção do Brasil de tranquilizar os mercados internacionais consumidores de produtos brasileiros, o presidente Michel Temer antecipou de segunda, para este domingo, às 17 horas, em reunião no Palácio do Planalto, um encontro com os embaixadores dos principais mercados de carne brasileira.

A União Europeia, por exemplo, está cobrando do Brasil resposta com urgência do pedido de esclarecimento sobre a Operação Carne Fraca, deflagrada pela POlícia Federal, na sexta-feira, que desvendou um esquema de corrupção na fiscalização de frigoríficos brasileiros. Estados Unidos e China também pediram explicações.

O objetivo do governo é apresentar todas as medidas já adotadas e que o País tem todo o cuidado com o controle para garantir a qualidade e sanidade de todos os produtos alimentícios destinados ao consumo interno e externo, sejam eles de origem animal ou vegetal. Na reunião estarão presentes ainda os ministros da Agricultura, da Indústria e Comércio e o presidente da Apex, que é a agência brasileira de exportação. Antes, esta reunião estava prevista para às 14 horas de segunda-feira.
A nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, informa também que Temer destacou na conversa a retomada do crescimento econômico e os dois “trocaram impressões sobre as reformas em curso no Brasil e nos EUA”. E acrescenta: “o Presidente Donald Trump revelou acompanhar e conhecer essas transformações e cumprimentou o presidente Michel Temer pelos importantes resultados já alcançados”.

Ao falar do ânimo em relação à melhoria do cenário da economia no País, Temer “sublinhou que uma série de indicadores econômicos recentes permite afirmar que o crescimento da economia e do emprego já retornou”.

O presidente brasileiro destacou ainda a “importância de aprofundar uma agenda bilateral para o crescimento, baseada na expansão do comércio e do investimento”, acrescentando que “ao longo da próxima semana, terá encontros com a Câmara de Comércio Brasil-EUA e com o Conselho das Américas. Em ambos, o Presidente Michel Temer reiterará a importância dos vínculos bilaterais e o potencial crescente da economia brasileira”.

Segundo a nota, “por iniciativa do Presidente Trump, os dois mandatários trataram, também, de temas da atualidade regional” e “acertaram manter contato regular”, acertando que uma visita próxima presidente Temer aos Estados Unidos.

A seguir, a íntegra da nota à imprensa;
“O Presidente Michel Temer recebeu telefonema do Presidente Donald Trump, na tarde de hoje, 18 de março. Foi a segunda conversa telefônica entre os dois Chefes de Estado.
Eles trocaram impressões sobre as reformas em curso no Brasil e nos EUA. O Presidente Donald Trump revelou acompanhar e conhecer essas transformações e cumprimentou o Presidente Michel Temer pelos importantes resultados já alcançados.

O Presidente Michel Temer sublinhou que uma série de indicadores econômicos recentes permite afirmar que o crescimento da economia e do emprego já retornou. Enfatizou a importância de aprofundar uma agenda bilateral para o crescimento, baseada na expansão do comércio e do investimento. Comentou também que, ao longo da próxima semana, terá encontros com a Câmara de Comércio Brasil-EUA e com o Conselho das Américas. Em ambos, o Presidente Michel Temer reiterará a importância dos vínculos bilaterais e o potencial crescente da economia brasileira.

Por iniciativa do Presidente Trump, os dois mandatários trataram, também, de temas da atualidade regional. Eles acertaram manter contato regular e deixaram abertos os canais diretos de diálogo, tendo estabelecido que voltariam a falar-se a qualquer momento em que se apresente questão de interesse mútuo. Na mesma linha, o Presidente Trump mencionou seu interesse em receber uma próxima visita do Presidente Michel Temer aos EUA.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República”
Disponivel: http://exame.abril.com.br/brasil/trump-liga-para-temer-interessado-em-reformas-no-brasil/
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Grupo de crustáceos tem a capacidade de mudar de cor para se camuflar entre algas marrons ou vermelhas e tentar escapar dos predadores

Grupo de crustáceos tem a capacidade de mudar de cor para se camuflar entre algas marrons ou vermelhas e tentar escapar dos predadores

 Peter Moon, da Agência Fapesp            EXAME/ABRIL
Grupo de crustáceos tem a capacidade de mudar de cor para se camuflar entre algas marrons ou vermelhas e tentar escapar dos predadores
Eles são pequenos, medem no máximo 1,5 centímetro de comprimento, existem em números prodigiosos e mudam de cor. São camarões da espécie Hippolyte obliquimanus, que vivem ao longo de todo o litoral brasileiro, sempre associados a bancos de algas.

Na região de São Sebastião (SP), são encontrados aos montes no meio dos sargaços (Sargassum furcatum), algas marrons de até 2 metros, e de Galaxaura marginata, uma alga avermelhada um pouco menor. Tais camarões se dividem em dois tipos morfológicos.

Há os homogêneos com variabilidade de cor (H) e os transparentes com listras, bandas de cores ou bolinhas (T). Os dois pertencem à mesma espécie.

Um grupo de pesquisadores descobriu nesses crustáceos a capacidade de mudar de cor para se camuflar entre algas marrons ou vermelhas e tentar escapar dos predadores.

A tática de camuflagem, que lembra a dos camaleões, rendeu o apelido de carnival shrimp (camarão carnavalesco), dado pelos autores da descoberta.

O trabalho foi feito pelo doutorando Rafael Campos Duarte, por seu orientador, o professor Augusto Alberto Valero Flores, ambos ligados ao Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP), e por Martin Stevens, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. O estudo teve apoio da FAPESP e os resultados foram publicados na BMC Evolutionary Biology.

Durante a coleta de animais no litoral, chamou a atenção dos pesquisadores o fato de, entre os H. obliquimanus capturados nos bancos de sargaços, haver muitos exemplares marrons, mas também verdes, amarelos, rosas, vermelhos e pretos. Já no banco de galaxauras os camarões eram preponderantemente vermelhos.

Em laboratório, foram realizados experimentos para averiguar a capacidade e o tempo de mimetização dos animais, examinados em aquários com sargaços e galaxauras, tanto verdadeiros como de plástico.

Os resultados foram surpreendentes. Os cientistas verificaram que os animais do morfótipo H (coloridos) mudavam de cor rapidamente, em questão de minutos, para se camuflar entre os sargaços ou as galaxauras. Mas isso só foi observado nos tanques com algas vivas.

“Nenhum exemplar mudou de cor na presença de algas artificiais. Isso indica que existe algo que as algas liberam na água e que afeta os camarões, fazendo-os mudar de cor”, disse Duarte.

Entre os sargaços, a mimetização não ocorreu por igual. Embora a maioria dos camarões exibisse tonalidades de marrom, havia entre eles indivíduos de outras cores. No caso da galaxaura, a mimetização se mostrou mais eficiente, com todos os animais avermelhados ou em gradações de rosa.

“Tal eficiência pode ser porque os bancos de galaxauras têm uma distribuição marginal nas águas de São Sebastião. Há menos bancos de galaxauras e, neles, os camarões são encontrados em menor número”, disse Duarte.

Quanto menos animais no banco de algas, maior a necessidade de os indivíduos terem camuflagem mais eficiente para evitar serem capturados por peixes.

Os bancos de sargaços predominam no ambiente, onde a “densidade de camarões é imensa. Ao passar o puçá entre as algas, recolhemos centenas de indivíduos. No verão, quando os bancos de algas crescem, existem em média 150 camarões por quilo de alga”, disse Duarte.

Uma densidade tão elevada de animais vivendo entre os sargaços significa menores chances individuais de predação. “Logo, a mimetização não precisa ser tão eficiente como a dos camarões que vivem entre as galaxauras”, disse.

Colorações diárias

“Mudanças de cor, como as enfatizadas nesse estudo, dizem respeito à camuflagem, na qual os camarões tendem a ficar da cor do substrato onde vivem”, disse Flores.

A mudança de habitat influi na cor dos animais. Os camarões marrons entre o sargaço ficaram vermelhos nas galaxauras e vice-versa. “No Reino Unido, existe um camarão da mesma família que é verde, porque as algas que predominam por lá são verdes”, disse.

Outro dado observado é que as colorações, quaisquer que sejam, só são exibidas durante o dia. À medida que escurece, os crustáceos se desbotam até ficar transparentes, translúcidos ou azulados.
“A cor desses camarões é dada por pigmentos que ficam em células de cor chamadas cromatóforos. A coloração do indivíduo altera de acordo com a disposição dos cromatófaros”, explicou Duarte.
“Nossos resultados sugerem que exemplares do morfótipo T apresentam maior mobilidade e não dependem da camuflagem por semelhança ao entorno”, disse Flores, vice-diretor do Cebimar.

“Uma vez que os camarões T são encontrados em igual densidade tanto em sargaço [sazonal, com maior ocorrência no verão] como na alga vermelha Galaxaura [sem sazonalidade)], estimamos que a fração da população T em galaxaura seja responsável pela estabilidade temporal da espécie, além de ser a fração mais ‘móvel’, que pode fazer a conexão entre diferentes povoamentos de algas”, disse.
Segundo o pesquisador, há muitas outras espécies com estratégias de camuflagem no litoral brasileiro. “Mudanças de cor rápidas [alguns dias] são esperadas para espécies de crustáceos com exoesqueleto fino, no qual uma quantidade relativamente pequena de pigmentos pode surtir efeito”, disse.

Além de pequenos camarões, como os hipolitídeos, os pesquisadores esperaram encontrar essas mudanças rápidas de cor em outros grupos de crustáceos, como anfípodes e tanaidáceos.

O artigo Shape, colour plasticity, and habitat use indicate morph-specific camouflage strategies in a marine shrimp (doi: 10.1186/s12862-016-0796-8), de Rafael C. Duarte, Martin Stevens e Augusto A.V. Flores, publicado na BMC Evolutionary Biology, pode ser lido neste link.

Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp.
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Sistema Confea/Crea e Mútua se prepara para o 8º Fórum Mundial da Água

16/03/2017
 
Ao longo deste ano, o Sistema Confea/Crea e Mútua se mobiliza para participar do 8º Fórum Mundial da Água, que será em Brasília em 2018. Entre as iniciativas, está a realização de uma série de debates para os próximos meses nas cinco regiões brasileiras. A proposta é coletar e sistematizar contribuições de profissionais da área tecnológica para o evento mundial.

Campinas será a primeira localidade a recepcionar o Preparatório da Engenharia e da Agronomia, agendado para o período de 21 a 23 de março, no Expo Dom Pedro, onde gestores públicos e especialistas em meio ambiente, água e energia, além de representantes de instituições de ensino irão discutir as possíveis soluções para a “situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos”, como adianta o engenheiro civil José Tadeu da Silva, presidente do Confea.

Confira a íntegra da entrevista concedida pelo presidente ao informativo da CBIC Mais, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção:

CBIC MAIS: O Brasil sediará, em 2018, o 8º Fórum Mundial da Água. Realizado pela primeira vez no hemisfério sul, qual a importância e significado de receber esse evento no país?

José Tadeu Silva: Eventos como o 8º Fórum Mundial da Água permitem a troca de informações e experiências entre profissionais, pesquisadores, representantes da academia, sociedade civil, lideranças do governo, empresas e organizações não governamentais. É uma agenda propícia à ajuda mútua, considerando que grande parte dos principais problemas relacionados a recursos hídricos são comuns a todos os países. Receber este grande evento no Brasil – onde estão 12% das reservas de água doce do planeta e 53% dos recursos hídricos da América do Sul – é um grande passo para discutirmos a temática sob a nossa ótica e levando em conta nossas necessidades em relação à água enquanto recurso primordial para o setor da ciência e tecnologia, para o saneamento básico e geração de energia. Nesse sentido, os debates não podem prescindir dos representantes da área tecnológica, que são fundamentais. A presença de engenheiros, agrônomos, meteorologistas, geólogos e geógrafos é muito importante, pois não se resolve problemas técnicos sem a contribuição desses profissionais.

 CM: Qual a expectativa em torno dessa edição e que temas deverão ganhar importância nesse momento?
J.T.S.: Nós, profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua, esperamos levar nossas contribuições técnicas para o diálogo que será promovido neste evento global, visando ao uso racional e sustentável da água. Pretendemos demonstrar nesta agenda internacional as contribuições e habilidades que os profissionais da área tecnológica podem dar para as áreas de planejamento e gestão, especialmente focadas no desenvolvimento, na sustentabilidade e na qualidade de vida da sociedade. Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial.


CM:O Confea participa da organização do evento, que deverá receber 30 mil representantes de mais de 100 países. Qual o estágio dos preparativos e quais os desafios de sediar um evento dessa magnitude?
J.T.S.: O Confea não participa diretamente da organização do Fórum Mundial Água. Somos parceiros da Seção Brasil dos Membros Brasileiros do Conselho Mundial de Água, o qual está à frente da realização do evento.

 CM:O Confea anunciou agenda de eventos regionais para preparar a participação da entidade e seus associados no Fórum Mundial da Água. Os seminários estão confirmados? Em quais cidades e datas serão realizados?
J.T.S.: Estamos com uma agenda para este ano que irá abranger todo o Brasil. Serão realizados sete eventos preparatórios nas cinco regiões brasileiras. Entre os dias 22 e 24 de março, Campinas (SP)* será a primeira localidade a receber os profissionais da área tecnológica para o debate. E de 10 a 12 de maio, será a vez de Manaus (AM) recepcionar o segundo evento. As próximas agendas estão previstas para acontecer no segundo semestre novamente na Região Sudeste, na Região da Hidroelétrica de Paulo Afonso, na Região de São José dos Campos e em Mato Grosso.

"Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial."
"Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial."

CM: Qual o propósito de tais eventos e quantos participantes são esperados?
J.T.S.: Cada evento preparatório será realizado em parceria com os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas), entidades de classe e com a Seção Brasil do Fórum Mundial da Água, da qual o Confea é parceiro. São esperados mais de 300 participantes, entre lideranças nacionais e regionais do Sistema Confea/Crea e Mútua, representantes de instituições de ensino da região e também do governo ligados aos setores de meio ambiente, água e energia. A proposta é reunir e formalizar as contribuições dos profissionais da Engenharia, Agronomia, Meteorologia, Geologia e Geografia sobre o desenvolvimento e a implantação de novas tecnologias sustentáveis nas áreas de água, energia e saneamento. Depois disso, os resultados desses preparatórios serão levados ao 8º Fórum Mundial da Água.


CM: Que agenda temática o Confea planeja cumprir nesses encontros?

J.T.S.: Em cada edição iremos tratar das demandas e peculiaridades relacionadas à bacia hidrográfica daquela região. Palestrantes especializados, representantes de instituições de ensino e lideranças do governo de cada localidade irão contribuir para os debates e elaboração de contribuições que poderão solucionar os problemas que envolvem água, energia e saneamento básico.


CM: Nos últimos anos, o Brasil passou a conviver com o desafio da chamada crise hídrica, que alcançou outras regiões do país, tornando rotina a necessidade do racionamento de água.  Quais os mecanismos para reverter esse cenário e como o Confea atua nesse campo?

J.T.S.: O Confea tem pautado o assunto em sua agenda de debates. No ano passado, por exemplo, o Conselho Federal promoveu, em parceria com entidades mundiais de Engenharia, um ciclo de palestras e diálogo acerca do tema dentro da Conferência Internacional sobre Novas Abordagens da Engenharia para o Fornecimento Sustentável de Água e Energia, realizada com apoio da Caixa Econômica Federal (CEF), Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Unesco, Organização dos Estados Americanos (OEA), União Pan-americana de Associações de Engenheiros (Upadi), Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae), Federação Mundial de Organizações de Engenheiros (WFEO), Governo Federal, Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e também da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa). Desse grande evento, resultou a Declaração de Brasília, por meio da qual os profissionais da área tecnológica se comprometem com ações que priorizem o fornecimento sustentável de água potável, de acordo com as necessidades, prioridades locais e regionais, e as condições culturais e capacidades humanas e financeiras existentes. Nesse sentido, o documento defende o engenheiro como profissional qualificado para substanciar a implementação de alternativas que contribuem para assegurar a qualidade de vida da sociedade, particularmente nas áreas de fornecimento de água. Na lista de soluções apontadas no documento, estão projeto e execução de sistemas destinados ao uso eficiente e diversificado de recursos hídricos incluindo a utilização de águas subterrâneas, de águas servidas, efluentes, desalinização e colheita de águas pluviais; a gestão de processos de conservação de recursos hídricos por meio de distribuição balanceada entre diversos usuários, nos diversos ecossistemas disponíveis; e o melhoramento da eficiência e disponibilidade de práticas de irrigação e de gerenciamento de uso de águas.

* Após o fechamento da entrevista, a data do Preparatório de Campinas foi alterada para o período de 21 a 23/3.

Equipe de Comunicação do Confea

Fonte: GCO Confea
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Livros e crianças pequenas: três recados da ciência para os pais

Estudos colecionam várias evidências de que a leitura é um poderoso estimulante do desenvolvimento infantil, principalmente nos primeiros anos de vida

 Educação infantil é responsável por desenvolver habilidades que serão fundamentais para o progresso escolar da criança

Educação infantil é responsável por desenvolver habilidades que serão fundamentais para o progresso escolar da criança (Thinkstock/VEJA/VEJA)

Pare e pense por um minuto: nas últimas semanas, quantas vezes você leu uma história para seu filho pequeno e quantas vezes você optou por colocar um vídeo em DVD ou na internet para eles? Se a segunda opção tem sido mais frequente por aí, a ciência tem bons motivos para você considerar uma mudança de hábito.

Há pelo menos duas décadas, borbulham evidências de que a leitura é um poderoso estimulante do desenvolvimento infantil, principalmente nos primeiros anos de vida, quando a criança não sabe ler e precisa da ajuda dos pais. Recentemente, três pesquisas sobre o tema reforçam achados mais antigos da ciência.

A primeira delas, publicada na revista americana Pediatrics, uma referência em saúde e desenvolvimento infantil, mostrou pela primeira vez que quando uma criança ouve uma história a partir de um livro, ela ativa uma parte do cérebro (hemisfério esquerdo) voltada à integração multissensorial, que integra som, estimulação visual e apreensão de sentido. Isso significa que com a leitura em voz alta realizada por um adulto ela consegue “enxergar” a história dentro de suas cabeças e entende-la, mesmo sem ler ou ver figuras.

Pode parecer óbvio, mas esta é uma habilidade essencial para que no futuro a criança possa compreender a leitura de livros sem imagens, por exemplo. Crianças que não ouvem muitas histórias na infância ou não têm contato com livros podem ter dificuldades com esta atividade no futuro. Ainda que alguns programas ofereçam conteúdo educativo, nenhuma animação ou desenho poderá substituir o impacto positivo no cérebro da criança causado pela leitura em voz alta realizada por um adulto.
Outra pesquisa recente, esta publicada no periódico JAMA Pediatrics, analisou o impacto de brinquedos tradicionais versus eletrônicos na comunicação entre pais e bebês. Isso porque a forma de comunicação dos pais com seus filhos desde o nascimento é fundamental para o desenvolvimento da linguagem deles. Quanto mais os pais conversam com os pequenos – e na medida em que esta conversa é de qualidade, maior será a capacidade da criança de se comunicar.

O que o estudo aponta é que brinquedos eletrônicos tendem a prejudicar a comunicação entre pais e filhos. Quando brincam estes brinquedos, eles se comunicam menos e com menos qualidade. Nesta mesma investigação, os pesquisadores descobriram que os livros são os brinquedos que mais estimulam a conversa: com eles, os pais falaram mais palavras, utilizaram um vocabulário mais rico e responderam mais aos balbucios dos bebês do que com qualquer outro tipo de brinquedo. Os bebês também vocalizaram mais quando brincavam com livros.

Por fim, uma outra pesquisa, esta coordenada pela Universidade de Nova York e pelo Instituto Alfa e Beto aqui no Brasil, descobriu avaliando um programa de leitura desenvolvido com famílias de baixa renda de Boa Vista, que as crianças cujos pais leem para elas em voz alta tendem a ter menos problemas comportamentais e a sofrer menos punições físicas em casa, indícios de que a leitura fortalece as relações familiares. Além disso, elas tiveram um incremento significativo de 14% na memória de trabalho, que a capacidade de armazenar e manipular informações necessárias para a realização de tarefas complexas.

O recado destes três estudos é simples: ler desde o início da vida faz a diferença na vida escolar das crianças; sempre que possível troque o brinquedo eletrônico ou a televisão por um livro; ler ajuda na escola, mas também em casa, estreitando laços afetivos.
E então, qual vai ser a história de hoje?

Disponível: http://veja.abril.com.br/educacao/livros-e-criancas-pequenas-tres-recados-da-ciencia-para-os-pais/

 

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VIDHA LINUS

CONSULTORIA AMBIENTAL LICENÇAS,ELABORAÇÃO EIV, PRAD. Av Radial B, 122 Bairro Mangueiral CEP 42807-380 CAMAÇARI - BAHIA 71 3040 5033 99168 5797 VBRAMBIENTAL@YAHOO.COM.BR

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